Ela tinha uma luz. Assim é que chamava àquilo que lhe dera a capacidade de olhar de cima. Não para os que estão abaixo. Não estamos falando de complexos. Está-se falando de lucidez, análise, percepção. Um dia ela parou e viu o abismo. Uma armadilha para os mais descuidados. Muitos ficam lá. A vida inteira. Mas o que ela tinha era um olhar cirúrgico que corta qualquer diamante. Muito além da intuição. Muito aquém da razão. Para ela, era como se alguém a tivesse erguido no meio de uma multidão e, lá do alto, ela visse uma joia reluzindo no meio da lama. Ela tinha uma cruz que a protegeu até que ela parasse de inventar criaturas místicas. Ela tinha a águia acima de todos os ventos sutis de uma mentalidade reduzida a pó por seus devaneios. Ela tinha ideiais a cumprir. Mas o que ela não tinha era ideia da força que a fazia permanecer nua no meio de ruínas a esperar os raios solares iluminarem as suas próprias feridas. Ela tinha uma luz. A luz da verdade.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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