A República do Major Parsifal

Vem aí profundas alterações constitucionais. Alguns juristas dizem que são mutações constitucionais.

Mutações são alterações na Constituição, sem que nos apercebamos. Um exemplo, fácil de entender, é do parente que vem passar apenas um final de semana em sua casa e acaba ficando por uma década.

O major Parsifal comanda o processo desta nova Constituinte, ele é um homem de grande sapiência e de alto valor.

Parsifal entende que a vontade do povo está plenamente de acordo, basta consultarmos as redes sociais.

O major é casado com a distinta Filó. Eles creem na refundação da República, parecida com aquela que Deodoro implantou após a monarquia.

Aliás pensam em varrer as inverdades que foram contadas pelos livros de história sobre alguns amiguinhos do “Fal”, como é chamado carinhosamente por seus filhos, que são a cara do pai, esculpidos e encarnados.

Neste momento, sua esposa Filó está em Miami fazendo comprinhas de Natal, mas já recebeu um “zapzap” avisando-a das novidades.

Filó nasceu num pequeno município que poderá ser extinto, mas seguirá em frente, se acostumará com a nova cidade que até pode mudar de nome para Filó City.

O “Fal” está preocupado com as reações populares, mas nada que um velho e bom AI 5 não resolva. Depois é claro, algumas manifestações nas redes sociais e estará tudo resolvido.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal, que o ex-ministro Sepúlveda Pertence chama de onze ilhas isoladas, aguarda o recesso do fim de ano para as merecidas férias.

O povo se manifestar é apenas um detalhe, a previdência que o diga, mais de 75 milhões de afetados e ninguém foi consultado e nem será.

Os bancos homenageiam Parsifal neste Natal. O Futebol, os feriados do fim de ano e o Carnaval resolverão isto tudo.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
Esta entrada foi publicada em Claudio Henrique de Castro e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.
Compartilhe Facebook Twitter

Deixe uma resposta