Adivinha

millôr-David-Zingg© David Zingg

Todo dia a garota americana americana do edifício em frente fica nuazinha, sem fechar a janela. Chamei meus amigos pra apreciar. Como é que se chama a garota? RESPOSTA DA ADIVINHA:

Body-espiatório.

Se existe mesmo um crime organizado, olha, rapaziada, é a única coisa organizada neste país.

1)IRREALIDADE

Idealistas têm sempre lamentáveis efeitos colaterais. Quando fazem a Revolução dos Cravos, por exemplo, entregam o Timor Leste à liberdade de, 10 dias depois, ser massacrado pela Indonésia. E 25 anos depois mandam o terço da popualção que sobreviveu ser salvo pelo tangueiro FhC

2)POETZGRILA

No meu trabalho de tradutor sempre achei extremamente difícil traduzir poesia do polonês. Sobretudo rimas em pilsudstzw.

3) Segundo o Detran, os cariocas afinal se lembraram de que são cariocas. Estão, cada vez mais, deixando de usar o cinto de cegorança, essa odiosa imposição dos lobbies internacionais das montadoras. E do estado caça-níqueis. Há inúmeros casos, absolutamente comprovados, remember Dener, em que o cinto mata. Nunca se provou que salve.

4) BORGES

“Dominamos a tecnologia. E perdemos de goleada para a sociologia”

5) Ouvo, como sempre fascinado, a apresentadora intelectual do Fantástico, da Globo : “Na Serra, a média do frio chega a 5 graus negativos”. Olha, mocinha, se há uma coisa que não chega a lugar nenhum é uma média. Em tempo: escrevi ouvo porque o Fantástico eu não ouço.

6) WOOD FACE

Agora, cara de pau mesmo é a do Senador, aquele, que diz, na intimidade: “Somos o 46 país em corrupção? Incompetência do governo. Se eu estivesse sentado lá chamava logo esse pessoal da Transparency International, passava um bom tutu pra eles e acabava na hora com a nossa corrupção”.

7) A TVA RESPONDE

A propósito de uma nota-queixa só pra chatear, não espero soluções, conheço meu país sobre cobranças da TVA, o Assessor de Comunicações da empresa me explica tudo. Como sempre me trata como se eu fosse uma criança. Igualzinho a como nos trata FhC. Ou o Ministro da Justiça. Ou o Ministro Nelson Jobim, do Supremo. Ou o general Cardoso. Nós, da galera, somos todos do jardim da infância. Mas vamos lá.

Caro Millôr,

Sobre sua coluna do dia 31 de dezembro de 2000, na Folha de S. Paulo, gostaríamos de ponderar alguns pontos apresentados com relação aos valores cobrados pela TVA.

…a TVA adotou uma política diferenciada com relação à cobrança das mensalidades. Baseada numa relação de transparência com seus assinantes, a empresa decidiu discriminar todos os valores embutidos nas mesmas, inclusive taxas.

  1. Obrigado pela transparência. Tá na moda. Mostrar o que está por baixo.

O objetivo da empresa… é de levar ao conhecimento do assinante todas as taxas e serviços que compõem a mensalidade. Porém, mais importante que esta discriminação, é a opção que a TVA dá ao cliente de dispensar alguns serviços, podendo diminuir o preço da mensalidade.

  1. Muito bem, é assim que se trata o cliente. Os patrões enchem ele de coisas que ele não pediu e ele, para dispensar as ofertas, que se vire com o pessoal do quarto escalão.

Neste sentido, vale ressaltar que a única taxa obrigatória é a de decodificação (R$ 3,30) referente ao custo do aparelho decoder, utilizado para a decodificação dos sinais de programação, que são codificados. Todas as outras taxas são opcionais.

  1. Que redação, doutor. Quase que precisa ser decodificada. Bem, depois veremos a “opção”. Por enquanto fico nos R$ 3,30 (mensais): por que tenho que pagar R$ 39,60 por ano de aluguel por esse decodificador? Não podiam me vender pelo preço de custo, que não deve ultrapassar os R$ 20,00? Em cinco anos de uso terei pago R$198,00 por ele. Caro, non, mamita?

– Revista TVA: R$ 3,50. Os assinantes que optarem por não receber a Revista podem consultar a grade de programação no Guia Eletrônico do canal TVA no AR ou por meio do site www.tva.com.br.

  1. Tenho a impressão de que o senhor não leu meu tópico, longo, sobre o valor da revista. Vai de novo, apenas o final: Tudo comparado, a VEJA (tem 220 páginas, mais a Vejinha, com 146, fazendo um total de 366 páginas, preço R$4,50) devia custar, baratinho, R$100,00.

Quanto à opção (de novo), “o assinante pode recusar a revista”, tudo bem. Mas tem que possuir um computador pra consultar www.tva.com.br: Não tendo computador “pode consultar o Guia Eletrônico do canal TVA no AR”. Isto é, sai do canal em que está vendo par exemple um filme, consulta o canal e volta ao filme. Perdeu o momento em que um assinante é seviciado.

Manutenção Técnica: R$ 2,70. Esta taxa garante manutenção gratuita quando solicitada. Dispensa taxa de visita e despesas de consertos, quando o motivo é causado pela TVA.

  1. Não reclamei. Achei justo. Até barato. Jamais vão me pegar fazendo malabarismos intelectuais pra provar uma tese.

– Taxa administrativa: R$3,00. Refere-se aos custos de boleto e serviços bancários. Os assinantes também podem optar, sem ônus algum, pelo débito em conta corrente ou cartão de crédito.

  1. Essa opção é fácil de fazer. Os bancos vivem doidos atrás desse automatismo. Torna impossível, por exemplo, fazer esta verificação no que nos estão cobrando. Bota um vidro fumê preto é melhor na “transparência”.

– Canal PSN: R$2,90. Trata-se de um canal de esportes vendido “a la carte”, ou seja, não é obrigatório. Quando lançado, houve um período de degustação, sem custo algum. Após esta fase, a taxa somente passou a ser cobrada daqueles assinantes que fizeram uma autorização de cobrança.

  1. Outra “opção”? Que, aliás, não fiz. Nem degustei coisa nenhuma. A palavra é ridícula, neste contexto. E o a de à la carte tem crase.

Esperamos tê-lo ajudado no esclarecimento de suas dúvidas em relação à cobrança de mensalidade. Gostaríamos de ressaltar, ainda, que sua opinião é muito importante para o constante aperfeiçoamento de nossos serviços.

Marco Dabus

Assessor de Comunicação e Imprensa TVA

  1. Perfeitamente esclarecido, isto é, é besteira reclamar, aqui fico, Millôr Fernandes. Jornalista sem fins lucrativos. Em tempo: fui dos primeiros assinante da TVA. E continuo achando-a melhor do que a NET.

Não tem de quê…

Millôr Fernandes – Folha de São Paulo|21 de janeiro de 2001

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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