Autor da Globo acusa Spielberg de ‘roubar’ bicicleta voadora de ET

Autor de novelas que marcaram época na Globo, como Fera Radical (1988), Top Model (1989-1990), Tropicaliente (1994) e Araguaia (2010), Walther Negrão acusa o premiado diretor norte-americano Steven Spielberg de roubar o conceito de uma bicicleta voadora inventada por ele para utilizá-la no filme E.T. – O Extraterrestre (1982).

É que, muito antes de Spielberg colocar o jovem Elliot (Henry Thomas) para voar com o alienígena, Negrão já tinha feito uma série inteira sobre dois amigos que sonhavam em montar uma bicicleta voadora, Shazan, Xerife & Cia. (1972-1974), com Paulo José e Flávio Migliaccio nos papéis principais.

“Shazan e Xerife queriam criar uma bicicleta voadora. E aí vem um cara que me copia, fiquei muito zangado. Quase fui pros Estados Unidos, porque esse cara não podia ter me copiado. Um tal de Spielberg, que botou aquele menininho do E.T. voando. Eu fiz primeiro, não interessa”, conta Negrão, aos risos, no programa Donos da História desta semana.

Nascido em Avaré, no interior de São Paulo, o autor se encantou pela televisão após seu pai comprar um televisor para a família, no início dos anos 1950, pouco depois de se mudarem para a capital do Estado. “Fiquei fascinado com aquela caixinha e resolvi que era ali que eu ia trabalhar”, lembra Negrão para o programa do canal Viva.

Prestes a completar 76 anos (ele faz aniversário nesta quarta, 24), Negrão deu um susto nos fãs e na Globo após ser internado durante a produção da novela Sol Nascente (2016), seu trabalho mais recente. Agora, ele voltou a morar em Avaré para poder diminuir o ritmo e relaxar mais.

“Eu voltei para as raízes, comprando uma fazenda e plantando na minha terra. Coisa bastante comum, as pessoas terem esse sentimento. Tenho paixão por aquela terra, cidade. Por aquela gente que me deu todos os primeiros personagens. Avaré está no meu coração, não sai de jeito nenhum. Saí de Avaré para conquistar o mundo, para poder voltar e chupar jabuticaba de novo, sem culpa”, conta.

No programa, Walther Negrão ainda recebe depoimentos de atores que participaram de suas novelas, dos veteranos Lima Duarte e Laura Cardoso a Márcio Garcia, lançado como ator na novela Tropicaliente. O autor, inclusive, comenta sua sorte ao revelar novos talentos, como fez com Garcia.

“Tenho mão boa. Muitos atores estrearam em novela minha, seguiram carreira e se tornaram brilhantes. E acho que a novela que mais deu isso foi Tropicaliente. Ali, foi o Márcio Garcia, que o Paulo Ubiratan tinha me indicado. Outro que estreou nessa novela e tem uma boa carreira, não só como ator mas em tudo o que faz, é o Selton Mello. E, ao lado dele, a Carolina Dieckmann”, valoriza.

O Donos da História com Walther Negrão vai ao ar no canal Viva neste domingo (28), às 18h30. A cada semana, um autor de novelas relembra sua carreira, conta bastidores de seus trabalhos e recebe depoimentos de atores que estrelaram suas obras.

Já foram exibidos episódios com Manoel Carlos, Aguinaldo Silva e Gilberto Braga. Também serão homenageados Alcides Nogueira, Antonio Calmon, Benedito Ruy Barbosa, Duca Rachid e Thelma Guedes, João Emanuel Carneiro, Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Ricardo Linhares e Silvio de Abreu.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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