Bar e Petiscaria Edmundo

O meu sósia Zé, dono do bar mais famoso do Bacacheri e o cartunista que vos digita. © Vera Solda

O Bar e Petiscaria Edmundo, como diria a “Vejinha’, fica lá na Avenida Erasto Gaertner, 1764 (cuidado pra não sair de fogo: é perto, pertíssimo do Material Bélico, na Base Aérea do Bacacheri) e atende diariamente das 17 h até o último bebum de plantão, que ninguém é de ferro.

É um dos barzinhos mais freqüentados da cidade e, bah, sua clientela é eclética e o lugar está sempre cheio. Por isso, é bom chegar cedo, mas não muito cedo porque eles não servem café da manhã.

O Zé, um dos filhos, assumiu o boteco depois que o Edmundo subiu pra servir baiacu aos anjos, mas a atração da casa ainda é o buchinho à milanesa, bem temperado pra descarregar as cervejas do depósito.

Antigamente era cobrado couvert artístico, pois o camarão de Guarapuava vinha cantando no prato e os artistas que atendiam eram todos da numerosa família do Edmundo, sempre de chinelos e com um palito entre os dentes.

Se não me engano o endereço do bar é o mesmo há 27 anos. Não tem e nunca teve música ao vivo, não há nenhum objeto antigo decorando as paredes, sem carta de bebidas, o estacionamento é a Erasto Gaertner sem manobristas, necas de pitibiriba de ar condicionado e quem quiser comer um frango ao molho pardo é só descer duas quadras, atravessar a rua e ir ao Pantagruel.

É um bar típico de periferia e, pasmem, durante os séculos que este humilde abstêmio que hoje vos fala freqüentou o pedaço, não presenciou um arranca-rabo sequer, nenhum trancetê ameaçador, a não ser quando o Jaguar, numa noite destemperada, espantou o Dante Mendonça para fora do estabelecimento, pondo fim à uma bebedeira colossal que só teve um final feliz graças à intervenção de duas ou três cervejas geladas e algumas porções de camarão-abraçadinho.

Mijar lá, antigamente, era um sacrifício. Além de eternamente ocupado, o banheiro masculino era tipo quartel e a lâmpada estava sempre queimada. E quem é que com meia dúzia de caipirinhas conseguia urinar numa privada de quartel no escuro?

Diz que no Edmundo era proibido levar mulher feia. Bucho, só o da casa. E à milanesa. Espero que o Zé (onde anda o Juarez?) continue atendendo como o Edmundo nos velhos tempos, não deixando o cascudo fritar demais, não esquecendo de colocar bacalhau no bolinho-de-bacalhau e mantenha o bar com cara de bar de garagem que o Bar do Edmundo sempre teve.

Tenho a impressão que a Maí Nascimento errou de Luiz Antonio quando encomendou este texto. Outro Luiz Antonio, o Guinski, era mais assíduo nas visitas à conhecida petiscaria. Tão assíduo que acabou casando com a Cintia, uma das filhas do Edmundo. Vou ficando por aqui senão o Sérgio Mercer vai achar que tô querendo tomar o lugar do Barão de Tibagy. Além do mais, o único sujeito credenciado para contar histórias de botequim em Curitiba é o bardo Nireu Teixeira. E tenho dito.

Solda (década de 90)

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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