Blogolismo

FAZER BLOGUE é vício, nocivo como qualquer vício. Cria a dependência de sempre publicar. Da dependência vêm os efeitos, físicos, emocionais e sociais. São as dores no corpo, costas, mãos, braços, ombros e suas artroses, tendinites, epicondilites e bursites. Vive-se na ansiedade de chegar ao texto final, apurado em pelo menos quinze tentativas, de que não raro resultam oito linhas. O japonês do haicai e Dalton Trevisan produzem com a naturalidade de quem solta o arroto acidental – prerrogativa dos gênios.

Entre o emocional e o social transitam o imperativo de atacar, o receio de ofender e a ressaca moral do auto-julgamento – somados à revolta de quem não gosta do que lê e daquele que simplesmente não entende. Vício, digam-nos os alcoólicos anônimos, é luta contra a dose diária. O vício não tem cura, está presente, à espreita, volta a qualquer momento. Quem faz blogue é blogólico, almeja ser anônimo. Segue a dose diária, as mãos a tremer e o peito a palpitar para o texto que luta para emergir.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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Uma resposta a Blogolismo

  1. Solda disse:

    Rogério Distéfano:

    Eu entro na farmácia de cabeça erguida. E agora, de máscara!

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