Bolsonaro, Pompeo e Trump, Lula, Maduro e Chávez: a salada indigesta das relações externas do Brasil

Tem tido respostas o uso do território brasileiro como palanque da campanha de Donald Trump pelo secretário de Estado Mike Pompeo, em sua visita a Roraima na semana passada. O secretário americano fez graves provocações ao governo da Venezuela. Ele veio aqui passar mensagens ao eleitorado de direita de origem latina, que Trump procura cativar nos Estados Unidos, fazendo do Brasil um palanque.

Houve reação, a começar pela pronta resposta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na exigência de mais respeito ao nosso país nas relações externas. Um grupo de senadores também quer aprovar um “voto de censura” aos EUA, o que serviria para compensar a falta de ação de Davi Alcolumbre, péssimo presidente do Senado, que não respeita nem os aspectos de respeitabilidade formal daquela Casa. Com mentalidade de político do baixo clero, o senador pelo Amapá só pensa em benefícios pessoais e de sua família.

Neste caso da desrespeitosa visita de Mike Pompeo cabe separar também o teor das indignações, que podem até soar como justas de origem, mas seguem interesses diversionistas com intenção de esconder responsabilidades sobre a bagunçada condição das relações externas do Brasil, além de apontarem, em maquinação asquerosa, qualidades onde isso absolutamente não existe.

Estou falando da esquerda brasileira, claro, mais propriamente do chefe do maior partido esquerdista, o incorrigível Lula e seu PT, sigla que mistura-se hoje em dia com o que de pior existe na política brasileira, juntando forças com corruptos no favorecimento da impunidade. Lula também protestou contra as falas do secretário americano de Trump, mas aproveitou para encaixar um elogio ao regime de Maduro.

Não nos enganemos: a política externa do governo Bolsonaro é um desastre, porém os problemas sérios do Brasil em política internacional têm como origem a política externa dos quatro mandatos do PT, comandados por Lula, com suas relações estreitas e cúmplices com governos de tendência altamente antidemocrática na América Latina. Destas equivocadas alianças petistas destaque-se como um dos maiores problemas o governo de Nicolás Maduro, com as graves complicações surgidas desde a criação deste lamentável regime bolivariano, com Hugo Chávez.

Mas vamos ao que disse Lula. Em entrevista à agência de notícias Reuters, o chefão do PT criticou a visita do secretário Mike Pompeo ao Brasil, aproveitando para tentar favorecer Nicolás Maduro. “Gostemos dele ou não”, disse Lula sobre seu antigo parceiro, “a Venezuela tem um presidente eleito”.

Ora, pode parecer verdade que “a Venezuela tem um presidente eleito”, no entanto não é uma verdade completa. Este é o modo costumeiro de Lula falar, com suas meias-verdades. Nicolás Maduro é um ditador, um destruidor da democracia que usa a fachada de governante que chegou ao poder pelo voto popular.

Acontece que as eleições na Venezuela não são limpas. O quadro eleitoral vem sendo montado da forma que melhor favorece ao governo bolivarianista e isso ocorre desde o primeiro mandato do criador do regime, Hugo Chávez. O governo de Maduro atropela as leis ou simplesmente as mudam quando lhe convém. Tampouco respeitam uma relação democrática com os outros poderes, muito menos com a população.

Lula é um cínico, o que não é nenhuma novidade. Chico de Oliveira, que foi um dos fundadores do PT, já dizia há anos que seu ex-companheiro “não tem caráter”. Quando o assunto é a Venezuela, estamos falando de um governo que recentemente usou milícias paramilitares para aterrorizar manifestantes que saíram às ruas em protesto. Franco-atiradores atiravam em oposicionistas, ferindo e matando pessoas.

A ditadura de Maduro também usa mecanismos de controle e de pressão sobre a população que tem como referência a experiência do modelo de pressão e controle de outra ditadura, a de Cuba, com um processo que, por sinal, na Venezuela foi montado e tem sido controlado por profissionais da inteligência e repressão política do governo cubano.

Esta opinião enviesada do chefe do maior partido de esquerda do país, levanta uma questão fundamental, que é a forma dos brasileiros agirem contra tantas complicações muito sérias da atualidade, algumas delas com o risco de afetar o futuro do país, mas tendo o cuidado de fazer este trabalho, muitas vezes com o sentido de indignação, separando muito bem o que é da responsabilidade deste desastroso e mal-intencionado governo de Jair Bolsonaro e aquilo que foi feito de muito ruim pela esquerda, com o projeto de poder do PT, que esteve por mais de uma década no poder.

A crise na segurança, com milícias paramilitares e o narcotráfico dominando regiões inteiras em grandes cidades, péssimos resultados na educação, a quebra da economia brasileira, a corrupção endêmica e tantos outros graves problemas que, sem dúvida, Bolsonaro não tem capacidade e muitas vezes nem o interesse de enfrentar, são de origem antiga que precisam estar muito bem definidas.

Só apontando muito bem as responsabilidades é que o Brasil poderá superar esses problemas e também não cair no risco de favorecer quem começou toda essa desgraceira que abala o nosso país.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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