Burrice em espiral

“O filme é corajoso, por mostrar o jogo sujo que resultou no meu afastamento do poder e como a mídia venal, a elite política e econômica brasileira atentaram contra a democracia no país, resultando na ascensão de um candidato da extrema-direita em 2018”.

NOTA DE DILMA ROUSSEFF sobre a indicação do Democracia em Vertigem, de Petra Costa, ao Oscar de melhor documentário de 2020. Se o júri do Oscar levar em consideração forma e conteúdo da nota de Dilma ainda desqualifica o documentário. Jair Bolsonaro também comentou. Com os intestinos.

A ex-presidente continua de mal com a lógica e o raciocínio minimamente ordenado. Vamos lá. Dizer que o filme é corajoso … Por favor, o filme pode ser bom, didático, contundente, nunca corajoso, porque corajoso é aquele ou aquilo que enfrenta algo mais forte. O filme foi produzido num país – ainda – democrático.

Jogo sujo. Desculpa do perdedor que fez gol contra. Se alguém tem responsabilidade no impeachment de Dilma é a própria Dilma, pela arrogância, inépcia, tolerância com a corrupção de seu partido e dos financiadores de seu partido. Em especial de seu criador, Lula, hoje um mártir auto-proclamado.

Mídia venal? Qual, quem pagava essa mídia? Venal é o que se vende, portanto o que se compra. E os jornais, revistas, blogues financiados pelo governo Dilma eram puros, vestais, santos imantados pela sacralidade das boas intenções do PT? Em tempos de burrice bolsonara, Dilma passaria por inteligente calando a boca.

Elite política, elite econômica brasileira. Qual elite, amor? O PT era e é elite, tem bancada grande, senadores e governadores. A outra elite política faz parte do jogo democrático da alteridade. Menos em Cuba e na Venezuela da paixão dílmica. Os empreiteiros salteadores da Petrobras e do BNDES são a elite da elite econômica.

Atentado contra “a democracia no país”. Meu Deus, nem Gleisi Hoffmann, nem a finada Ideli Salvatti falariam assim. Se o impeachment se deu no Brasil, contra a presidente do Brasil, o atentado atingiu a democracia. Ponto final. Não houve impeachment contra a democracia no Paraguai ou na Venezuela.

Por último, mas nem por isso menos imbecil, tudo isso resultou na eleição de um “candidato da extrema direita em 2018”. Teve outra eleição fraudada antes de 2018 que prejudicasse Dilma? O povo que elegeu Dilma duas vezes e Lula outras duas é tão cretino que elege depois o “candidato da extrema-direita”?

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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