Eu avisei

Perdoem-me os queridos Rui, Diniz, Benedicto, Hugo e mais meia dúzia de amigos-leitores, mas, se continuar assim – ouvindo as asneiras ditadas pelo “muso” da Virgínia, ex-astrólogo e falso sociólogo; acocando as idiotices do trio de rebentos, criando atrito com os milicos no poder e com a nobre base parlamentar, da qual depende desgraçadamente; dizendo e desdizendo, fazendo e desfazendo todos os dias, o capitão-presidente não aguenta o tranco até dezembro. E será o que já é: um novo Jânio Quadros ou um novo Collor de Mello a florescer e morrer no Planalto Central.

A mim não surpreende. Aliás, a crise era esperada e fora anunciada. Inclusive por este escriba que vos digita. No início de setembro do ano passado, pouco antes do primeiro turno da eleição presidencial, aqui neste mesmo puxadinho do blog do Zé Beto, sob o título “Bolsonaro, jamais!”, eu lhes disse:

“Por mais pecados e condescendência que tenha, o Brasil não merece o capitão Bolsonaro. Depois de Sarney, de Collor, de Dilma Rousseff e de Michel Temer, era só o que faltava! Melhor fechar o país. Devolvê-lo para os tupis, pataxós, caiapós, guaranis, tamoios, marajoaras, tupinambás, botocudos, xavantes, caingangues, ianomâmis e todos aqueles bravos que foram “pacificados” e “catequisados” pelo pessoal de Cabral (o Pedro Álvares), pagar o prejuízo dos últimos 520 anos e sair de fininho rumo ao oceano.

“O cap. Jair Messias Bolsonaro é vazio, oco, não tem programa de governo, não sabe administrar, não é capaz de juntar as ideias. O que fará na presidência da República? Esteve durante sete legislaturas na Câmara de Deputados e o que fez pelo Brasil? Rigorosamente, nada. Apenas meteu-se em confusão, agrediu as mulheres e os homossexuais, defendeu a tortura, pregou o armamento da população, o fuzilamento de pessoas, o fechamento do Congresso e outras asneiras de igual quilate, como fazer a apologia da ditadura militar de 1964.

“Se o eleitor está pretendendo votar no capitão como forma de protesto, não direi que é um idiota porque tenho amigos queridos que pretendem e não são idiotas, mas digo que é mal informado, inconsequente e odeia o Brasil. Talvez seja um daqueles tantos que desejam sair correndo do país e são capazes de deixar aqui, de raiva, uma bomba prestes a explodir na cara dos brasileiros que ficaram. Patriotas não serão. Tampouco democratas.

“Jair Bolsonaro se diz democrata, mas abomina a democracia. Sequer honra a farda que já usou. Não por acaso, a expressiva maioria do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não quer saber dele. Ao contrário. Se não o considera um “bunda suja”, por não haver galgado degraus na escala hierárquica, acha-o um estorvo, uma desmoralização para a classe.

“Diz o capitão que quer reativar os tempos da ditadura, onde não havia corrupção. Mentira. No tempo do governo dos generais, havia corrupção sim, e muita. Velada, enrustida, sem o conhecimento da opinião pública, posto que a imprensa era proibida de investigar e divulgar, o Ministério Público de acusar e o Judiciário de julgar. Os homens da farda não precisavam de tais esquemas para manter-se no poder. Julgavam-se perpétuos e intangíveis. Então, preferiam abarrotar as estatais com militares da reserva e proteger o Brasil e os brasileiros dos perigos da liberdade e da democracia.

“Por isso, não venha o líder do PSL falar em moralidade, decência, combate aos privilégios, aos desmandos e quejandos. Há ainda muita gente viva dos tempos da quartelada de 64 para testemunhar.

“Se o eleitor não vê ninguém merecedor do seu voto entre os candidatos colocados à sua disposição, não vote em ninguém. Mas, pelo amor de Deus, não cometa a insanidade de optar por Jair Bolsonaro”.

Por isso, fui chamado de “esquerdopata” – o que deixou o nosso Zé Beto com confessada inveja.

O novo governo ainda não completou nem seis meses de poder e o que vem (ou não vem) fazendo estamos vendo. Com profunda preocupação e angústia. Até agora, ampliou a posse e o uso de armas de fogo pela população, inclusive pistolas .40 e 9mm, então de uso restrito das Forças Armadas e policiais, contra 61% da opinião pública e parecer do próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública. Fez mais, “contingenciou” verbas da educação superior, e está botando a vida da Nação nessa tal de reforma previdenciária, que ninguém conhece verdadeiramente e, com certeza, empacará no Congresso Nacional.

Façam as suas apostas, senhores jogadores. Até quando permanecerá de pé o governo do capitão Jair Messias Bolsonaro?

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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