Calai-vos, chacais!

Estava evitando falar no assunto, mas, infelizmente, isso é inevitável. A matilha petista e os idiotas de sempre, desesperados por um fato novo que possa abrigar o seu chororô vazio e inconsequente, agarra-se com unhas e dentes no vazamento de conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Dallagnol para desqualificar as autoridades e absolver o tri-condenado Lula da Silva. E o pior é que a imprensa nossa de cada dia lhes dá guarida e repercute a idiotice à saciedade.

Ainda que sejam verdadeiros os diálogos, captados de forma criminosa pela ativa quadrilha, não se prestam para o fim almejado por ela. Nada foi dito que possa desqualificar o trabalho da Lava-Jato e muito menos servir para tirar do xadrez os bandidos encarcerados.

Sérgio Moro “desgastado”?! Por que?! Por haver cumprido, com competência, coragem e correção, o seu dever?!

Ah, sim, ao dialogar com Dallagnol, Moro ofendeu a ética e expos a sua parcialidade como magistrado?! E para corrigir-se tamanha transgressão é preciso colocar Lula em liberdade, devolver o Palácio do Planalto à Dilma Rousseff, a presidência da Câmara a Eduardo Cunha e o governo do Rio a Sérgio Cabral; pedir desculpas e devolver o dinheiro aos empresários e doleiros que assaltaram o Brasil, e, como prêmio de consolação, entregar a presidência da Petrobras a José Dirceu…

Com todo o respeito, senhores aloprados!

Não estamos mais acostumados com autoridades dignas, probas e eficientes. Se alguma delas surgir em cena, será preciso desonrá-la imediatamente, antes que se torne respeitada e admirada.

Quem tem um mínimo de conhecimento do funcionamento do Judiciário brasileiro sabe ser comum, rotineiro até, conversas entre juízes e promotores ou procuradores de Justiça, sem que isso venha afetar a atuação de cada um ou macular o resultado final. Magistrados e membros do Ministério Público jogam no mesmo time. Ambos buscam a Justiça e a tem encontrado em conjunto. De igual modo, acontecem, sem maiores problemas, diálogos entre juízes/promotores e advogados. Assim funciona o sistema.

Como advogado, filho de promotor público e genro, sobrinho e bisneto de juiz, sei o que estou dizendo. Além do que, estive 35 anos dentro do Poder Judiciário, como servidor público. Conheço-lhe as virtudes e defeitos, a face exposta e os subterrâneos. Vi de perto muito patife de toga. Eles existem, e como! Na primeira, segunda e “terceira” entrâncias. Só não os comparem a Sérgio Moro e a Deltan Dallagnol e seus colegas.

Com todos os defeitos que possam ter, Moro, Dallagnol, assim como os demais procuradores da Lava-Jato e policiais federais – creiam ou não os seus detratores, alguns asfixiados pelo despeito e pela inveja – prestaram inestimável serviço ao Brasil. Expuseram as vísceras de um esquema qualificado de corrupção que consumia o país e aviltava os brasileiros. Políticos e empresários, que se julgavam intocáveis, acima do bem e do mal, foram recolhidos ao xilindró, como nunca antes acontecera na história deste país – como dizia um dos envolvidos –, lá continuam e lá devem continuar. Faltam alguns ainda, é verdade. Mas chegará a vez deles.

Não foi Moro e Dallagnol que mandaram e mantêm Lula da Silva no cárcere. Foi a Justiça, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Superior Tribunal de Justiça, o Supremo Tribunal Federal e, sobretudo, a conduta delinquente do ex-sapo barbudo, que se imaginava dono do Brasil. E olha que, até agora, ele foi apanhado apenas nos confeitos…

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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