Cem anos de ação

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Ruy Castro – Folha de São Paulo

Em “O Tempo Não Apaga” (1946), Kirk Douglas sofre de alcoolismo e passa o diabo no filme. Em “O Invencível” (1949), é um boxeur que apanha horrores, dentro e fora do ringue. Em “Êxito Fugaz” (1950), faz um músico de jazz casado com uma esnobe que o humilha e quebra seus discos. Em “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), vive um jornalista escroque que adia o resgate de um homem soterrado e, com justiça, morre no fim. E, em “Assim Estava Escrito” (1952), é um produtor de cinema totalmente sem escrúpulos, um monstro moral.

Em “Ulisses” (1954), ele derrota o gigante Ciclope em sua caverna, amarra-se aos mastros para resistir ao canto das sereias e sobrevive aos feitiços de Circe, que se faz passar por Penélope, sua mulher. Em “20.000 Léguas Submarinas” (1954), escapa de um ataque de canibais, luta com seu arpão contra um polvo do tamanho do submarino “Nautilus” e foge de uma ilha pouco antes de ela explodir. Em “Sede de Viver” (1956), como Van Gogh, tem surtos tremendos de depressão, briga com todo mundo, decepa uma orelha com sua navalha e acaba se matando.

Em “Vikings, Os Conquistadores” (1958), tem um olho vazado por um falcão, é morto pelo irmão e vai para o Valhala num barco em chamas. Em “Duelo de Titãs” (1959), amarra e carrega nas costas o homem que estuprou sua mulher, até conseguir enfiá-lo num trem e levá-lo preso. Em “Spartacus” (1960), enfrenta o Império Romano inteiro, é feito escravo e, por fim, crucificado. E, em “Movidos pelo Ódio” (1969), é um publicitário de sucesso, poderoso e entediado, que mete seu carro-esporte de propósito debaixo de um caminhão. Etc.

Com todo esse currículo, Kirk Douglas completará 100 anos no próximo dia 9 de dezembro. Vivo, digo. Nenhum outro astro de Hollywood chegou perto dessa marca.

Imagine se só tivesse feito papéis românticos.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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