Delicadeza

Pelas horas do tempo não linear
persigo seu rosto em todas as palavras, sílabas, frestas
tento adivinhar qual será o presságio
ao ouvir o vento bater à janela

ao acaso
ou à sorte
as linhas da minha mão migraram para a sua
percorreram os hemisférios
dividiram os tempos
carregaram as dores
inventaram um pensamento

entre os silêncios trocados
na abissal tentativa do encontro
o medo não existe
apenas a nau constante

a pele descama e escolhe as matizes
embarco nesta expedição
em busca da delicadeza
onde vejo os naufrágios somente
quando desço às profundezas do oceano

Marianna Camargo

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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