Muda, Brasil!

Mingau quente se come pelas beiradas e o capitão Jair Messias Bolsonaro, que chegou ao topo do poder com 63 anos de idade, sabe muito bem disso! (o que deve ter aprendido das malandragens da política em seus quase 30 anos de vida parlamentar não foi pouco).

A 1º de janeiro assumirá a presidência da República consciente do tiroteio que vai enfrentar. Já deve saber identificar todas as velhas e novas trincheiras de onde, mal conhecido o resultado das urnas, começaram a disparar suas metralhadoras contra ele de modo implacável.

A briga promete ser boa! Bolsonaro revela grande habilidade política: já antes do pleito, desarmou a armadilha que o senador eleito de seu partido, o Major Olímpio, pretendeu armar contra ele no mais influente estado da Federação, São Paulo.

Olímpio pretendeu levá-lo a apoiar o braço petista ao governo do estado, Márcio França. Bolsonaro resistiu e ajudou a eleger João Dória, ganhando assim um aliado de peso na política e na economia! Dória é também um liberal, afinado com Paulo Guedes!

Entre as poucas trincheiras já armadas para combater o novo governo, a mais insidiosa é aquela que reúne a turma do voto nulo, voto em branco, do “ele não” / “ele nunca” que  demonstra disposição para seguir em frente abraçadinha com esquerdóides e esquerdopatas no bom combate ao presidente “torturador”, “estuprador”, “homofóbico”.

MAIS QUE UMA TROCA  DE GOVERNO

 É espantoso observar que ainda não entenderam, provavelmente por mero atavismo, o que de fato aconteceu neste 28 de outubro de 2018. Imaginam que foi uma simples troca de governo, quando na verdade foi muito mais que isto!

Tanto o mercado financeiro quanto o setor empresarial entenderam de bate pronto, tanto que a Bovespa, em SP, já bateu o recorde dos recordes de altas e as empresas não param de anunciar novos – e vigorosos – investimentos. O mais recente anúncio foi da Siemens: quatro bilhões em cinco anos…

Outro que com certeza entendeu foi o Juiz Sérgio Moro, que não hesitou um só instante em aceitar o convite de JB para ocupar um super-ministério de combate à corrupção, abandonando imediatamente uma já longa carreira vitalícia na magistratura.

 Não iria perder a chance de ouro que lhe foi aberta para ajudar no esforço de combate à corrupção e ao crime organizado!

FATO INÉDITO

Na verdade, nada menos de 57.797.464 de brasileiros decidiram, neste histórico 28 de outubro de 2018, tirar da frente o socialismo corrupto e a sócio-democracia idem e colocar em seu lugar o liberalismo econômico.

E é espantoso que tenhamos alcançado essa proeza, inédita na vida republicana, pela via eleitoral e pacífica, ao  preço de apenas uma facada…

O liberalismo econômico só foi implantado no Chile em 1973 ao custo de um golpe militar violentíssimo que iria matar seguramente mais de 100 mil pessoas.

E vejam como são as coisas: até hoje, no Chile, os economistas e lideranças políticas admitem, constrangidas, que a proeminência socioeconômica que o país tem alcançado  nesses quase 50 anos que o separam de Pinochet ainda é devida àquela adesão de quase duas  décadas ao liberalismo da escola de Chicago.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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