Escritor Paulo Sandrini desafia contendores

Foto Divulgação

Dias atrás, a coluna publicou matéria a propósito da oportuna campanha do escritor Paulo Sandrini, paulista radicado em Curitiba, contra o uso do Mais que Perfeito (MQP). A notícia mereceu de minha parte tratamento jornalístico, tal como faço há 50 anos, no dia a dia da atividade.  Mas Sandrini, a quem respeito e a quem vi começar em Curitiba, entendeu que alguém esteja usando este espaço para dar recados contra ele.

Caro Sandrini, eu sempre assumi minha responsabilidade profissional, não aceito recados e nem os dou em lugar de terceiros. Assim, em consideração a Sandrini, abro espaço à opinião do escritor sobre o assunto:

Não citou Clarice

“Não sabia que minha rebelião solitária causaria tanto bafafá, ainda mais com a defunta Clarice, que não me lembro de ter citado. Melhor, não a citei. Não misturem, por favor, alhos com bugalhos e outros atos falhos. É bom, sim, para se pensar esse engessamento da língua literária uma simples questão como o PMQP. Quanto às normas, acho que as conheço bem para falar, não precisamos de didatismos tolos, que parecem comandados por outros tantos tolos da literatura local. Não parece coisa do Murá isso. Agora, também, por favor, vamos parar de usar o nome da Clarice em vão, tanto os que a leram quanto os que não a leram e fazem da mulher arma de guerra para todas as ocasiões em que a mesquinharia e o debate pequeno sobre as letras imperam.. E como devo entender, Murá, o dublê de escritor e editor, em qual sentido dicionaresco dele? Pejorativo ou elogioso entre aspas? (Aspas que não são apenas para acusar um estrangeirismo, nesse caso de ironia raquítica e explícita em seu sentido menor). Até onde sei, e agora vou dar uma de Mirisola, e pode colocar aí na sua coluna ou cravar nas vértebras dos acéfalos culturais que manipulam o discurso alheio, como posso passar por dublê de escritor e editor?, pois desculpe-me a concorrência local, mas sou o melhor escritor da minha geração nessa cidade e o melhor editor hoje em dia também. Se não sirvo para a província? Bem..

A hipocrisia local

Acho mais certo dizer que a acefalia e a hipocrisia locais é que não servem para mim. E outra coisa, não mandem recados pela coluna do Murá, de quem gosto e considero, falem diretamente a mim. Fato é que em Curitiba não tem gente, fora um ou dois, com bala na agulha para discutir intelectualmente qualquer assunto literário que seja. Por isso é necessário se esconder e mandar recado em colunas de jornais em que outros assinam. Sei bem quem são os maricas que fazem isso. Nesta cidade, além de tudo falta homem de verdade. Deixo então o conteúdo, na íntegra, do que escrevi, no Facebook: ” Poxa, estou cansado de ler livros e textos literários que usam verbos no Pretérito mais-que-perfeito. Eu mesmo já fiz isso anos atrás. Mas ainda bem que consegui parar com esse vício tolo. Ninguém usa isso na fala, vamos ser sinceros, nunca vi usarem isso em lugar nenhum fora em nossa literatura, e o pior: na contemporânea. Acho que nem em Portugal isso é usado muito em literatura, mas não tenho certeza, se for, cometem os mesmos problemas de enfeiar a língua literária com essa coisa cacofônica que é o P-m-q-p. Por favor, escritores deste país, vamos dosar um pouco o uso disso, às vezes não dá pra escapar (quando se usa corretamente), porém usar sempre já é outra coisa, e errado é pior ainda, fora ser uma fórmula ruim e foneticamente ridícula (tanto quanto esse “ente” constante dos advérbios, outro monstro usado com muita frequencia nas letras atuais. Graciliano Ramos ia jogar pilhas de textos na cabecinha de muita gente por essas coisas. E tenho dito. Melhor, escrito; antes que alguém se defenda argumentando: “mas eu já pensara isso antes”.

“Curitiba precisa crescer”

Curitiba precisa crescer. Agora, se o que eu falo atinge a quem deve atingir, me dou por satisfeito.” E que as vozes do Paraná sejam realmente vozes e não emulações de discursos prontos e coniventes com essa reacionária mentalidade solta por aí. Me deem uma oportunidade séria neste Estado paralítico que eu causo uma revolução na cultura. Mas vocês têm medo e não querem mexer no arroz com feijão local. Assim todos ganham seu tutu, de feijão azedo, o que é pior. E tenho dito. Abraço, grande Murá.”

Paulo Sandrini é mestre em literatura e doutorando, escritor, editor da Kafka Edições e designer gráfico.

Da coluna de Aroldo Murá G. Haygert|24|4|2012

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
Esta entrada foi publicada em Escritor Paulo Sandrini desafia contendores e marcada com a tag , , , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.
Compartilhe Facebook Twitter

Deixe uma resposta