Frida Khalo

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Foto: Reprodução/Acervo Frida Kahlo

Na verdade, a vida de Frida Kahlo me impressiona muito mais que a sua obra. Resisto bravamente ao naif. André Breton chegou a qualificar sua obra de surrealista em um ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova York. Mas ela corrigiu: Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade.

Ao ver essa fotografia que mostra uma interessante e sensual mulher, pensei naquilo que mais me interessa em Frida Kahlo. Sua vida aventurosa é uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que lhe deixaram uma lesão na perna e um apelido, Frida pata de palo. E de relacionamentos tumultuosos na cama em que o muralista Diego Rivera teve papel central.  Mas não único.

Foi em 1928 que entrou no Partido comunista mexicano e conheceu Diego Rivera, com quem se casou no ano seguinte. Sob a influência do marido, adotou zonas de cor amplas e simples, estilo propositadamente reconhecido como ingênuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México.

Kahlo hospedou e teve um caso com Leon Trotski, quando o revolucionário russo se exila no México e onde foi assassinado, episódio narrado magistralmente por Octavio Paz. Esse romance enfureceu Diego, que aceitava abertamente os relacionamentos de Frida com mulheres, mesmo elas sendo casadas, mas não aceitava os casos dela com homens.
Quando Frida descobriu que Diego Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina, durante muitos anos, deu-se a revolta. Ela os flagrou em relação sexual. Sua irmã teve seis filhos com Diego e Frida nunca a perdoou.

Frida viveu novos amores com homens e mulheres, mas anos depois se uniu novamente a Diego num casamento ainda mais tumultuado. Frida construiu uma casa igual à dele, ao lado da casa em que eles tinham vivido. Essa casa era ligada à outra por uma ponte, e eles viviam como marido e mulher, mas sem morar juntos.

Durante esse período tentou diversas vezes o suicídio. A morte veio em 13 de julho de 1954. Frida Kahlo contraíra forte pneumonia e foi encontrada morta. Não se descarta a hipótese de que tenha morrido de overdose (acidental ou não), devido ao grande número de remédios que tomava. A última anotação em seu diário diz: “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar – Frida”.

Fábio Campana|Revista Ideias, outubro, nº 156|Travessa dos Editores

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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