A saúde em Cuba e a insanidade da esquerda brasileira

Já faz algum tempo que a esquerda se comporta por impulso, quase espasmos de um organismo adoecido pela ignorância. E vem sendo triste neste caso do abandono pelo governo de Cuba do Programas Mais Médicos. Essa militância esquece-se da origem do problema e não tendo mais o governo de Fernando Henrique Cardoso pra botar a culpa, mete bala em Jair Bolsonaro e passa a emitir impressionantes opiniões românticas sobre a saúde em Cuba.

Agora, com este problema nas relações com o governo cubano, até Che Guevara foi trazido à lembrança, com uma informação totalmente falsa de que ele foi o responsável pela origem da beleza que é hoje em dia a saúde pública em Cuba. Não sei como é que se diz “fake news” na ilha, até porque com a informação sendo dominada pelo Estado, então lá tudo é fake news. Mas em nenhum dos livros sérios sobre a revolução cubana e o governo de Fidel Castro existe essa informação de Che Guevara organizando a área da saúde no governo depois da tomada do poder.

Na verdade, Che Guevara no início da revolução tornou-se presidente do Banco Nacional de Cuba e ajudou na organização do governo. Ele não tinha nenhum conhecimento econômico e teve que tomar até aulas de matemática com um economista cubano que atuava em Cuba. Claro que foi um desastre. Da mesma forma, Guevara mostrou uma tremenda incompetência no que fez depois da revolução cubana, mesmo nas atividades militares, com uma inabilidade estratégica e de planejamento que finalmente custou-lhe a vida em outubro de 1967, na Bolívia. Morreu num local escolhido por ele, que era totalmente inadequado geograficamente para a ação guerrilheira.

Mas cabem alguns fatos para acabar com esta tola ilusão de Guevara como um eficiente reformador da medicina em Cuba. Ele recebeu o diploma de médico em 1953, na Argentina, mas não seguiu a carreira. Preferia a ação política e a aventura em viagens pela América Latina, o que já fazia enquanto estudava. Tanto é assim que em julho de 1955 conheceu Fidel Castro no México e com ele começaria a aventura da revolução cubana, até a tomada de poder em 1959. Façam as contas e verão que é impossível que ele tenha adquirido experiência na medicina, muito menos na área do planejamento administrativo.

Portanto, esqueçam da camiseta do Che Guevara com estetoscópio. E sobre o sucesso da medicina em Cuba, basta pensar em carências em nosso próprio país para desmistificar mais essa lorota inventada pela esquerda sobre um país arruinado por uma ditadura incompetente que se prolonga por mais de 50 anos. Ora, se em um país com o peso econômico do Brasil a população sofre com dificuldades de atendimento por médicos, não tendo acesso nem a exames básicos de acompanhamento rotineiro da saúde, porque em um lugar pobre como Cuba seria diferente? Só se for por alguma religiosidade ética marxista, ideia idiota que faria o próprio Marx se revirar em seu túmulo. Em Cuba faltam remédios e nem existem essas máquinas de primeira linha e profissionais que o militante com plano privado de saúde costuma usar toda vez que seu médico pede algum procedimento que exige bons equipamentos e habilidade profissional.

Mas existe outra necessidade que impede que Cuba tenha um bom atendimento de saúde, só para resumir este problema agora tão cercado de ilusões pela esquerda. É a liberdade, sem a qual é impossível criar qualquer sistema eficiente. No Brasil foi essencial a capacidade empreendedora da classe médica para a criação de qualidades reconhecidas internacionalmente. Pesa muito a liberdade de mercado, que começa e se estabelecer a partir da liberdade do indivíduo. Um detalhe numa matéria recente sobre médicos cubanos que querem permanecer no Brasil me chamou a atenção e pode explicar isso que estou falando.

Um médico cubano que atende no interior de Minas Gerais foi ouvido pelo jornal O Globo e disse que representantes do governo cubano já pressionam sua família. Segundo o médico,  “eles já procuraram meus pais em Santiago de Cuba para falar o que está acontecendo no Brasil”. Desde a eleição de Bolsonaro esses agentes do governo pressionam os familiares dos profissionais cubanos para evitar que eles fiquem no Brasil. Pois é isso. Em Cuba a única fonte de informação sobre o que se passa no Brasil é o governo cubano. Quem achar que dessa forma é possível construir um sistema de qualidade em qualquer área é porque está com o cérebro completamente lavado.

A militância descolada, esses brasileiros de espírito socialista que defendem Cuba não precisam que alguém do governo vá até sua casa para levar a informação do que está acontecendo no Programa Mais Médicos ou em qualquer outra questão política brasileira ou internacional, não é mesmo? Basta acessar um site, pegar um jornal, uma revista ou ligar a televisão. Por mais dificuldades que tenhamos no Brasil, pelo menos aqui estamos defendidos pelo que a militância costuma chamar de democracia burguesa. Fica muito mais fácil ficar repassando inverdades defendendo qualidades insólitas em uma ilha dominada por décadas por um regime fechado.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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