Mural da História

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O pingo no espaço branco, linear e breve, engorda e fica brevelíneo. Os seres de Solda, raramente chatos, quase sempre achatados, estão espremidos pelas circunstâncias: plásticos se espalham na ocupação plena do espaço mais horizontal que vertical.

Claro que há, também, os que seguem a chama da vela, quase góticos em sua agudeza de agulha pronta a perfurar o céu, longelíneos. Se faz isso com o traço e a troça é capaz de exercer tais magias com as palavras no seu escavado, onde as frases são curtas mas de profundas reverberações semânticas. Um pingo no espaço que engorda, Sancho Pança, Aníbal Khoury, ou quase se estica em distúrbio glandular, Don Quixote, o Magro do Henfil, nunca jamais o Tadeu França.

Riscos e rasgos a partir de hoje em exposição dos cartuns no Bar Ocidente, um dos raros espaços culturais não pertencentes à loba romana do mecenato oficial. Artes do Solda, talento que dá liga. Luiz G. Mazza (março, 1985)

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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