Marcello, filho de Beto Richa, desiste da política

A história de que o ex-governador José Richa não queria o filho Beto na política é antiga e foi, ao longo do tempo, até modificada pelo próprio Beto: depois da resistência inicial do pai, ele não só teria aprovado como apoiado a trajetória de sucesso.

Se ainda estivesse vivo, o velho e bom José Richa certamente poderia repetir a frase, fatídica, de todo pai ou mãe, diante de um problema dos filhos, aquele “eu não falei?” definitivo. Depois do sucesso extraordinário na política do Paraná, o ex-governador Beto Richa foi preso, junto com a mulher, Fernanda, e o irmão José Richa Filho, o Pepe, por conta de acusações de irregularidades no decorrer dos mandatos de prefeito e governador. O primo distante, Luiz Abi Antoun, está no Líbano. Todos eles podem voltar para a prisão de acordo com as investigações do Ministério Público Estadual.

Este cenário familiar provocou a decisão do herdeiro do clã, o jovem e primogênito do ex-governador Beto Richa, Marcello, a desistir da política. Por conta das desventuras da família, Marcello sequer conseguiu se eleger deputado estadual ao receber apenas 20 mil votos na última eleição, mesmo tendo recebido de presente o cargo de secretário de Esportes do prefeito Rafael Greca. Para um filho de governador recém saído do Palácio Iguaçu, foi sinal de fracasso total nas urnas.

A decisão de Marcello praticamente encerra nos próximos anos a participação dos Richa na política do Paraná depois da tradição de mais de 40 anos, ou desde que José Richa foi eleito prefeito de Londrina no começo da década de 70.

Se não via com bons olhos a presença do filho, Beto, na política do Paraná, José Richa teria motivos para se lamentar ao ver o neto desistir. Homem probo, José Richa conduziu sua trajetória com simplicidade e honestidade e jamais foi acusado de qualquer deslize nos cargos que ocupou.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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