MBL: um movimento que se perdeu no caminho

A imagem parece uma gozação de adversários com o MBL, mas foi mesmo o movimento de Kim Kataguiri o criador dessa coisa muito estranha. Sintam o apelo: Michel Temer é atração do 5º congresso nacional do MBL. E os rapazes parecem entusiasmados com a confirmação da presença. Vai bombar: garanta já o seu ingresso.

É por coisas desse tipo que vem a obrigação de questionar em que mundo afinal vive esse pessoal do MBL, que aliás virou algo que ninguém mais sabe exatamente para que serve. Perdeu o sentido com o final do governo do PT e depois do grupo aderir ao governo de Jair Bolsonaro para logo mudarem de ideia. Garotada precoce: tão novos e já com uma baita crise de identidade.

Estão totalmente isolados: não atrairam intectuais, artistas, ninguém com um trabalho de destaque juntou-se ao grupo. Até uns dias atrás falava-se que pretendiam formar um partido a partir do mesmo nome, porém Kim Kataguiri já informou que por enquanto a ideia está descartada. Na prática, isso os fez virarem políticos do DEM, o que não me parece soar como algo de muito futuro.

O MBL não serve mais como movimento de rua porque perdeu o caráter apartidário e também não se reformulou como grupo político. Ficou travado na imagem daquilo que lhe deu projeção, mas acontece que mesmo essa atividade exigiria uma reformulação que eles não tiveram capacidade nem de saber afinal qual seria. As últimas tentativas de organizar grandes manifestações não deram muito certo, exatamente porque querem continuar fazendo de uma forma que já não confere com o que vive hoje o nosso país.

Atualmente o MBL é nada mais que o movimento dos deputados Arthur Mamãe Falei, em São Paulo, e de Kim Kataguiri, em Brasília, sem ter tido uma transformação com a ampliação de sua representatividade. Eles se mantêm como meros criadores de memes nas redes sociais, quando deviam ser proativos, agregando pessoas com participação política consistente.

Mas é claro que não do jeito desta promoção especial com Michel Temer. Outras figuras foram convidadas, mas com Temer como destaque nem é preciso saber dos outros. Essa bobeira demonstra uma falta de sintonia impressionante com o momento atual brasileiro. Acho que nem o DEM pensaria em tentar se apoiar numa atração como esta hoje em dia.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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