O antifascismo desinformado de Roger Waters, do Pink Floyd

Já é até chavão falar do constrangimento alheio que roqueiros velhos provocam com sua imitação sem limites do que foram no passado. Pois parece que Roger Waters, do grupo Pink Floyd, veio ao Brasil demonstrar que também dá vergonha alheia ver roqueiro falar de política, especialmente sobre assuntos fora de seu terreno pessoal, em países como o nosso, onde quem tem sensatez sabe que é preciso ponderar bastante para entender o momento político que estamos vivendo, além de ser necessário buscar muito equilíbrio mental para que a desordem não tome conta até das nossas relações pessoais.

Como todo mundo já deve estar sabendo, o líder do Pink Floyd veio ao Brasil dar um show, onde num telão de 70 metros de altura por 14 de largura colocaram o nome de Jair Bolsonaro, relacionando o candidato do PSL ao fascismo, o que é uma tremenda idiotice. Para Waters, a lista de políticos  representa um perigo para a democracia no mundo. O confuso manifesto político se deu no Allianz Parque, em São Paulo, na noite desta terça-feira. O nome de Bolsonaro foi alinhado ao de líderes políticos que nada tem a ver com ele, mesmo na dimensão local como líder político e muito menos como doutrinador ideológico. Comparar Bolsonaro a líderes ideológicos europeus, alguns de fato ligados ao fascismo, é coisa de idiota político. Além disso, analisando até o momento atual, se for para apontar um dedo para algum responsável pela conturbada complicação em que foi metido o Brasil ou colocar seu nome em uma lista de acusados, creio que o primeiro nome de político brasileiro nefasto ainda é o de Lula, que, alias, atualmente é um corrupto preso.

O telão criticando políticos vem sendo usado em outros shows do cantor. No Brasil, ele incluiu Jair Bolsonaro. Claro que a alusão ao candidato a presidente recebeu vaias e aplausos. Não sei a proporção de cada lado, mas espero que as vaias tenham sido em volume mais alto, que é o que faria até mesmo quem é adversário firme do que representa Bolsonaro, como é o meu caso. A intromissão política do roqueiro americano é indevida e burra, até pelo fato de vir ao encontro do que a campanha do candidato continua precisando, agora no segundo turno: uma contraposição com a esquerda. Se esta contraposição ideológica é colocada conceitualmente no plano mundial e vem do próprio adversário, como fez Waters, ainda melhor.

Falando nisso, não sei ainda se no telão crítico do velho roqueiro estava o nome de Nicolás Maduro, mas é bem provável que tenha faltado não só o político venezuelano. Por certo, os Kirchner não estavam. Assim como Daniel Ortega, Evo Morales e tantos outros. Políticos nefastos como esses não costumam ser condenados por gente como Waters. Isso afetaria toda sua estrutura de pensamento, abalando bases antigas que estão em Lenin, Mao Tsé-tung, Che Guevara, Fidel Castro e outros criminosos históricos, que sempre foram a sustentação ideológica do estrago feito por governos de esquerda e seus grupos de militantes em toda a América Latina, inclusive resultando em Lula e seu partido, este sim o grande responsável por um estrago sem precedentes em nosso país.

Bolsonaro de fato é barra-pesada, mas é tolice ter o fascismo como referência a um provável governo comandado por ele. Inclusive o risco dessa conversa tola, como já adverti, é que forças relacionadas ao sucesso do candidato do PSL gostem dessa ideia futuramente. Ao contrário do que pode estar pensando, ao elevar Bolsonaro aos patamares históricos do fascismo mundial, Roger Waters não está ajudando um nadica a democracia brasileira.

A atitude do roqueiro segue o padrão da esquerda mundial e não é muito diferente de líderes do Partido Socialista Espanhol e do Partido Socialista Francês visitando o salafrário do Lula no Brasil ou mesmo de tipos como José Mujica participando de reunião do PT, o partido corrupto do chefão. Da mesma forma que esses líderes políticos, Waters se perde na ideia de uma fictícia unidade socialista, sem notar que em boa parte dos países latino-americanos a esquerda não passa de bandos de quadrilheiros, imorais no aparelhamento de idéias universais de igualdade, em grande parte gatunos de dinheiro público.

Essa atitude que beira a ingenuidade já gerou comprometimentos terríveis para ativistas como o líder do Pink Floyd, como ocorreu com  o cantor Bono, o diretor Oliver Stone, o ator Sean Penn e outros estrangeiros famosos que tiveram emocionada paixão política por Hugo Chávez, uma ilusão ideológica que gerou a miséria e a fome da população da Venezuela. As encrencas podem surgir também ao revés, no erro de avaliação sobre o peso que podem ter contestando forças políticas no país dos outros, como fez Roger Waters no show em São Paulo. Parece que foi com pouca informação e sem nenhum senso estratégico que ele se meteu em conversa alheia. Acabou fortalecendo temores e razões que até como forma de protesto levam brasileiros a votar em Bolsonaro.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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