O filhotismo arraigado de Jair Bolsonaro

O pessoal em torno do presidente Jair Bolsonaro vem fazendo um esforço para justificar sua nomeação do filho Eduardo Bolsonaro como embaixador nos Estados Unidos, mas não tem jeito: o estrago político é enorme. Já não está fácil para bolsonaristas falarem em ética, probidade e todos os adjetivos que a direita usa para se auto-elogiar, aproveitando para atacar adversários, acusando-os de defeitos que a eleição de Bolsonaro teria vindo para sanar.

Como é que vai ficar aquela palavrinha muito falada pela direita, a tal da “meritocracia”? Depois dessa, ficará difícil para algum seguidor de Bolsonaro repeti-la sem que todo mundo caia na gargalhada.

O bolsonarismo vem tentado o impossível. Querem convencer a opinião pública de que não há nepotismo nesta nomeação. Para isso apelam para a citação de decretos, súmulas vinculantes e outras manobras. Foi o que fez em nota, nesta sexta-feira, a Controladoria-Geral da União. Mas acontece que certas imoralidades do poder podem muito bem ser cometidas dentro da legalidade.

O nepotismo não tem nenhum impedimento legal em ditaduras africanas, por exemplo, onde por favorecer a parentada não há nenhum perigo de alguém ir para a cadeia ou perder o mandato. Por sinal, com coisas como esta o Brasil vai ficando com fama parecida aos olhos do mundo.

O que vale não é apenas a letra da lei, mas o respeito à moralidade pública. Faz muito tempo que o entendimento desta palavra — que por sinal costuma vir acompanhada do termo “filhotismo” — já está até dicionarizado. Está lá no velho Aurélio, no Michaelis, também no Aulete, no Houaiss e em tantos outros a definição dessa sem-vergonhice.

Não há lei que derrube a compreensão deste conceito. Esta é a definição do dicionário Aulete: “Nepotismo: Favorecimento de amigos e parentes por parte de quem ocupa cargos públicos”.

Outra definição muito interessante é do Michaelis, que diz exatamente isto: “Favoritismo de certos governantes aos seus parentes e familiares, facilitando-lhes a ascensão social, independentemente de suas aptidões”. Reparem que é exatamente o que Bolsonaro vem fazendo há trinta anos com seus filhos e outros parentes. Na família Bolsonaro o nepotismo é uma tradição.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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