O mistério de Tannhauser

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Você bem que poderia aparecer, assim do nada, e sentar-se à minha frente. Olhar-me nos olhos você poderia. Esse olhar oblíquo. É nostalgia? – perguntaria. Faria isto tão docemente que fugir eu não conseguiria. Você poderia fazer o que nenhuma outra fez: tomar minhas mãos e acarinhá-las. Essa presença longínqua. É melancolia? – sopraria. Beijar-me no rosto você beijaria.

Demorar-se nele se demoraria. Molhar meus lábios com sua língua, pressionar sua boca contra a minha, você ousaria. Então arrepiar-me você iria. Você bem que poderia falar, Meu amor, eu te amo. Daí morrer eu morreria.

E se me amasse mesmo, morrer comigo você morreria. Pois uma estrela você viraria.Você poderia olhar para mim e pedir, Olha, fica comigo, amanhã a gente vê, é outro dia. Uma pedra brasileira eu lhe daria, um jasmim, uma bijuteria. Cantar só para você a Takai cantaria. O mistério de Tannhauser se revelaria.

Minha fantasia afinal eu viveria.

Almir Feijó

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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