O perigo da vitória do crime no ataque à Lava Jato

Num caso como este, do vazamento das mensagens roubadas de conversas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, tão importante quanto avaliar o objetivo deste vazamento é prestar atenção naquilo que vai ocorrer com certeza em decorrência do que será estabelecido com um resultado favorável aos que estão por detrás disso tudo. O objetivo é o de sempre: soltar Lula, restabelecer o poder de seu partido e fazer retroceder o rigor imposto pela Lava Jato no combate à corrupção.

Visto desse modo, este conflito pesado que envolve até roubo de informações em conversas privadas pode parecer uma questão de disputa política, o que é de fato. Mas existem também outras implicações, que afeta diretamente a segurança de todos nós. Moro e os procuradores da Lava Jato e de outras operações não atuam apenas em crimes relacionados à política. O trabalho deles é também contra o crime comum, em confronto com quadrilhas violentas e de grande poder de fogo.

Como juiz, Moro já condenou líderes do narcotráfico internacional. Procuradores arriscam com coragem suas vidas enfrentando criminosos da pesada. Chefes do crime, como Fernandinho Beira-Mar e também chefões do tráfico internacional, receberam penas longas para cumprir, do mesmo modo que aconteceu com vários políticos, entre eles o centro dessa polêmica toda, este criminoso que já foi presidente da República, o Lula.

Por isso, a derrocada da Lava Jato não  está apenas no âmbito da política. O retrocesso terá consequências graves sobre o crime organizado, favorecendo todo seu aparato de hoje em dia de terror e opressão sobre os brasileiros, com um amaciamento da pressão sobre milícias, ladrões, assaltantes, homicidas, narcotraficantes e outras modalidades do chamado crime comum.

Pautas defendidas atualmente por corruptos, como o fim da prisão em segunda instância, além do impedimento de que haja maior rigor jurídico e no cumprimento de penas, se forem adiante serão obviamente usufruídas não só pelo Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, José Dirceu e tantos outros bandidos de colarinho branco. Os bandidos que traficam, roubam, assaltam, estupram e matam também estarão neste tétrico trem da alegria.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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