Os desencantos do palácio da Guanabara

Após 124 anos de tramitação está finalizado o processo mais antigo do Brasil. A pendenga foi sobre a propriedade da família real brasileira sobre o Palácio Isabel, ou como foi batizado pela República, o Palácio da Guanabara, atual sede do governo do Rio de Janeiro.

Alguns historiadores sustentam que a queda da monarquia brasileira não foi somente por causa da abolição da escravatura, que culminou no golpe militar chamado de República, mas foi em razão do Imperador Dom Pedro II descuidar da sua imagem.

A corrosão da imagem da família imperial deixava clara a fragilidade da monarquia e o poder político, até então vinculada à estabilidade do Estado. A etiqueta da realeza fazia parte da própria definição do poder.

Esta é razão pela qual os palácios governamentais, Brasília e as sedes de poder sempre devem estar muito bem cuidados e seus ocupantes devem se portar como vestais e a caráter, terno gravata e dedinho levantado quando se toma um simples copo de água.

Voltando ao Palácio da Guanabara, não se pode desconsiderar que o Estado do Rio de Janeiro conta com a quase a totalidade de governadores e vices, dos últimos 20 anos, envolvidos em crimes de corrupção: Pezão, Sérgio Cabral, Moreira Franco, Rosinha Garotinho, Anthony Garotinho e o mais recente, Witzel.

A família real se distanciou das elites e a gota d’água foi a abolição da escravatura., não cometeram crime algum.

E os governadores cariocas, cometeram crimes? Nos processos há recursos e ainda podem demorar anos para transitarem em julgado. O Palácio da Guanabara tornou-se uma arapuca para os que sonham com a Presidência da República.

A atual família poderosa da República passou longe dele, em décadas de política.

Será que no Palácio há alguma maldição centenária, lançada por membro da família real que, no exilio, amargou anos de vida mundana?

Assim como a imagem do imperador foi substituída pela imagem de Tiradentes, a imagem dos governadores cariocas foi substituída pelas manchetes dos jornais e mídias sociais que os definem como corruptos e outras definições chãs. O Palácio da Guanabara tornou-se uma ilha de corrupção, cercada por um mar de moralidade?

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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