Os prejuízos da “gripezinha” de Jair Bolsonaro

A China suspendeu nesta segunda-feira importações de três processadores brasileiros de carne. O motivo alegado foi a preocupação em conter um novo surto de Covid-19. Segundo o Ministério da Agricultura, o governo chinês solicitou “informações sobre alguns estabelecimentos brasileiros que exportam para a China e que tiveram notícias divulgadas na imprensa do Brasil sobre casos da Covid-19 entre seus trabalhadores”.

É provável que Jair Bolsonaro comece a compreender que o novo coronavírus não é apenas uma “gripezinha”. Como não soube entender isso motivado pelo registro de mortes alcançando 50 mil, provavelmente agora deverá ter em torno dele representantes da indústria e da agropecuária explicando que a incapacidade do governo no controle da pandemia em nosso território transmite péssimas mensagens aos nossos parceiros comerciais.

A imagem externa de um governante com ares de psicopata insensível ao sofrimento de seu próprio povo tampouco ajuda a despertar confiança nos países estrangeiros. É óbvio para quem está fora do Brasil que um presidente que não olha nem para seus compatriotas não terá respeito pela segurança e a qualidade de nossos produtos de exportação.

Só um doido vai descuidar dos riscos de um vírus como este, que ninguém até agora consegue definir precisamente e que vem apresentado surpresas dia após dia, desde o momento em que apareceu pela primeira vez, até espalhar-se pelo mundo todo de forma assustadora.

Chega a ser irônica a condição que vai sendo imposta ao nosso país pela posição negacionista desse presidente sem noção. O Brasil pode ser conduzido a um isolamento compulsório, tachado como um território infectado e de alto risco. Por sinal, o grande amigo de Bolsonaro, o presidente Donald Trump, vem nas últimas semanas insistindo em apontar o nosso país como um lugar onde mora o perigo. E nisso, de fato, ele não deixa de ter razão. Nós temos por aqui uma das maiores ameaças para a saúde e a economia de qualquer país: o risco Bolsonaro.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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