Os rebentos do capitão Bolsonaro

Eduardo tem, como os demais irmãos, deficiências mentais e psicológicas potencializadas, certamente, por uma criação disfuncional sob a batuta de um pai desesperadamente rude, para dizer o mínimo.

Caso alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o complexo freud(peni)iano que atormenta Eduardo Bolsonaro, a foto dele, armado, ao lado do pai recém-operado, num quarto de hospital, encerrou o assunto. Mas não é só isso.

O 03 tem, como os demais irmãos, deficiências mentais e psicológicas potencializadas, certamente, por uma criação disfuncional sob a batuta de um pai desesperadamente rude, para dizer o mínimo. Para cada um deles, Bozo criou uma expectativa brutal de realização pessoal sem margem de escolha, todos inseridos precocemente na política sob a mesma moral religiosa, ideológica e social. O resultado é esse espetáculo grotesco, inumano, essa agonia em praça pública de três homens atormentados.

Eduardo, escrivão da Polícia Federal, tem fixação por ostentar armas, o que, por si só, não pode ser explicado apenas a partir da controvérsia lançada em público, por uma ex-namorada, sobre as dimensões de sua genitália. Não há, por óbvio, nenhuma relação entre sociopatia e pau pequeno.

Está claro que a intenção do 03 é manter-se, simbolicamente, como referência ostensiva da ideologia belicista da família e manter a tropa bolsonarista ativada em torno dessa imagem do idiota armado – como se sabe, fonte poderosa de votos, no Brasil de hoje.

No leito do hospital, Bozo não esconde a satisfação de ter o filho com uma pistola enfiada na cueca, bem ao lado. Dentro da estrutura familiar levada a cabo pelo ex-capitão, essa demonstração absurda de estupidez é, antes de tudo, uma posição ideológica, quando não uma reafirmação de gênero. Bolsonaro, como se sabe, prefere ter um filho morto a um filho gay.

O que nos leva a Carlos, o 02, este, o mais sequelado de todos, sobre quem paira uma dúvida, entre jocosa e venenosa, sobre sua verdadeira orientação sexual. Carluxo, como ficou conhecido depois uma sôfrega demonstração de afeto do primo Leo Índio, no entanto, perde pouco tempo com o assunto. Tem como especialidade usar o Twitter para mostrar ao Brasil e ao mundo que precisa, urgentemente, de tratamento psiquiátrico.

Assim como o irmão que sonha em ser embaixador nos Estados Unidos, Carluxo demonstra, além de grave dislexia, uma ignorância abissal sobre, literalmente, todos os temas que aborda. O que quer que fale ou escreva transborda ausência de escolaridade, leitura, conhecimento geral básico e senso de ridículo.

Nas sombras, desde que vieram à luz as negociatas que fazia quando era deputado estadual, no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro não é muito diferente dos irmãos. O 01, contudo, não pode, como os outros dois, ficar exposto ao sol com tanta frequência, sob o risco de ganhar um par de algemas, num momento de distração. Para quem, num debate eleitoral, desmaiou e foi levado para casa todo cagado, manter-se assim, discreto, é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência.

Jornalista, professor e escritor. Trabalhou para o Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Estadão, Revista Época e Carta Capital. Autor de diversos livros, entre eles, “Cayman: o dossiê do medo” (Editora Record).

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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