Paralelepípedos da Rua São Pedro, Itararé

© Myskiciewicz

Conservá-los ou destruí-los, eis a questão. Primeiramente, vejamos os paralelepípedos em função do turismo. Após, em função dos motoristas. Você sabia, prezado leitor, que o primeiro paralelepípedo implantado em Itararé foi no ano de 1948, no início da Rua 15 de Novembro, saindo da praça?

Faz sessenta anos que as então ruas empoeiradas e lameadas de nossa cidade receberam esse embelezamento. Calçamento de primeira qualidade, para durar até o fim dos séculos. Destruí-los? Jamais! Itararé que é uma cidade que está lutando bravamente por seu turismo, certamente não vai querer destruir esse ponto turístico de real beleza, esse lindo trabalho artesanal, pedra por pedra, da Rua São Pedro, para colocar asfalto.

Só para ficar mais uma cidade igual a tantas? Esse calçamento é relíquia, jóia rara, são poucas cidades que ainda têm esse privilégio. É de inestimável valor turístico para Itararé! Visitantes admiram essa nossa avenida por seus paralelepípedos. Já ouvi muitos elogios a esse respeito, por pessoas de grandes centros urbanos. Nem imaginam, que há uma corrente de pessoas insensíveis que desejam destruir esse nosso patrimônio.

— Por favor, autoridades do Turismo, não permitam destruir mais essa linda atração turística. Basta, nossa Igreja Matriz que era tão admirada, por não ser pintada. Tendo tijolos à vista, como o Mosteiro Cisterciense, da vizinha Itaporanga. Sem nenhuma consulta à população foi pintada, ficando igualzinha a tantas outras igrejas. Antes disso, era diferente, era só a nossa, agora é igual a todas. Ainda, o Coreto da Praça Coronel Jordão, simplesmente demolido, da noite para o dia!

Que absurdo! Por qual motivo querer que nossa cidade seja tão moderna, tão igual a tudo e a todas? Nem tudo que é antigo é feio. Tudo que é antigo guarda sua História. Preservemos o que é nosso! Nossas tradições, nossas belezas, assim poderemos ser de fato, uma cidade turística, diferente!

Agora, a tese em defesa dos motoristas que tanto reclamam do estrago que os paralelepípedos causam a seus veículos. No caso da Rua São Pedro ser asfaltada, necessário se faz, que receba um serviço de primeira linha. Que antes, seja trocada toda rede de esgoto antiga, pela moderna. Que o asfalto seja da melhor qualidade e durabilidade possível.

Que não seja esse asfalto ordinário, que logo precisa de remendos, como essesremendos horríveis que foram feitos nos paralelepípedos próximos à Praça Negrão. Moleza mesmo, ao invés de se realinharem corretamente as pedras, joga-se uma camada de cimento, asfalto, sei lá, e tudo fica resolvido? Porém, aos olhos de quem ama Itararé, foi simplesmente chocante! Esse deserviço lembra colcha de retalhos ou as calças remendadas dos bailes caipiras das festas juninas.

Horrível! Porém, essa nossa Rua São Pedro, a tradicional Rua das Tropas, permanecerá para sempre impoluta, majestosa, tanto calçada como asfaltada. Que vença a razão! Rua São Pedro, 115, anos de tradição.

Tere/API (Associação Paulista de Imprensa) Jornal O Guarani, agosto/2008.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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