Muito feio

Ofensivo, preconceituoso, de péssimo gosto, desnecessário: o gesto com as mãos abertas suprimindo metade do dedo mínimo para comemorar os nove anos de condenação de Lula. Diz mais sobre quem faz do que para quem é feita.

Farofa na mesa

Gleisi Hoffmann bem que quase convenceu na pose de executiva de Itaipu e ministra de Dilma. Bastou voltar ao Senado para cumprir a metade do mandato e surgiu a Gleisi real, até então encoberta na maquiagem e disfarçada pelas intervenções estéticas: a do ‘bora ocupar’ aos professores e às senadoras, quando vestiu o figurino ‘senadora farofeira’ ao transformar a mesa do Senado na toalha de praia, servindo gasosa e frango assado para as companheiras de excursão.

Estalinismo jeca

Lula reage à sentença de Sérgio Moro: “Só o povo pode acabar comigo”. Nem Cristo fez isso, preferiu dizer que dá-se a César o que é de César. A atitude petolulista é totalitária, de sobrepor o líder às instituições, mesmo que estas errem. Na democracia as instituições podem errar sem risco para o cidadão porque outras instituições restauram o equilíbrio, uma desfazendo o ato da outra. Basicamente é o sistema de freios e contrapesos, visto na amplitude da aplicação.

Lula et peterva não conhecem o sistema, melhor, desdenham o sistema, pois têm o monopólio da verdade e a exclusividade da boa intenção. Lula está solto, a sentença sequer foi publicada, o prazo para recurso não começou a correr e ninguém garante que a sentença será mantida pelo tribunal da apelação. Nada disso interessa ao pensamento totalitário, o líder sempre tem razão, nunca erra. Aliás, esse era o lema do nazismo, o Fuererprinzip.

Stálin inventava a verdade hoje para contrariar a sua verdade de ontem – que nem por isso se convertia em mentira. No Brasil todos podem ser julgados e condenados. Menos um, Lula, que tem inocência prévia e indulgência plenária. Ora, ele é um homem que se candidata a presidente ou é um deus temporariamente fora do altar? Petista cansa, mais ainda no Paraná, que carrega o ridículo de eleger o pastiche de Maria Madalena, que não para de enxugar a testa do Cristo do ABC.

Serginho do Posto

Ele foi bem como suplente de Gleisi, melhor que ela; vantagem nenhuma, dada a comparação; acima da encomenda, posto que entrou na chapa na cota pessoal de afilhado de Orlando Pessuti. Elegeu-se deputado, bom deputado, embora muito gastador de diárias e despesas de alimentação (deve ter uma lombriga gulosa, pois é magro que nem faquir). Adivinharam? Sérgio Souza, deputado federal, PMDB/PR.

Ah, que decepção. Primeiro teve o lance de sua intimidade com o chefe da Vigilância Sanitária do Paraná, o contubérnio usual de nossa política. Agora Sérgio Souza vem com a jogada mais manjada e perniciosa que os legisladores – presidentes da república na caçamba – nos impingem: a obrigatoriedade de comprar alguma coisa. Aquilo de inventar a necessidade para ganhar com a solução.

Sérgio Souza resgata o extintor de incêndio como equipamento obrigatório dos veículos. O extintor é bom para a empresa que o fabrica e melhor para o dono do posto de gasolina, cujo frentista nos enche o saco ao abastecer o carro: “o extintor está em dia?”. E contribuição excelente para as campanhas eleitorais. Na Alemanha, que produz carros seguros, os extintores estão abolidos há anos; Inglaterra, idem. Os carrões europeus que chegam ao Brasil precisam ser adaptados para receber o nosso extintor, obrigatório.

Não bastou o acinte da tomada de três furos, a grande, inútil e dispendiosa contribuição de Dilma. Quem não gastasse o dinheiro para trocar a tomada tinha que gastar o dinheiro no adaptador da tomada. ‘Jenial’, coisa de mulher sapiens.

Lembram a palhaçada do vereador curitibano, que encarece a conta dos restaurantes com o insumo da embalagem de papel e plástico  para os talheres? Sérgio Souza, que faz carreira de baixo para cima, ainda se elege vereador em Curitiba. Plataforma, extintor; na propaganda, ‘Serginho do Posto’. Nada original. Como a lei do extintor.

Fof foc a quatro

O uol esbalda-se há três dias com a informação da filha de Fábio Júnior que experimentou sexo a três e sexo com algemas. A moça não detalha se usou algemas no sexo a três. Se usou, foi laboratório de estupro, aquilo de teatro, ensaio para cena realista.

Sexo a três, vantagem nenhuma. Quem leu a biografia de Bruna Surfistinha sabe do sexo a quatro, até a cinco – que tem nome na terminologia anglossexual, gangbang – foc foc de quadrilha, em tradução literal, ou suruba, na definição de nosso senador Romero Jucá.

Hoje todo mundo fala de sexo com naturalidade. No entanto, ninguém supera Gore Vidal, escritor norte-americano, quando disse que tinha experimentado tudo no sexo, menos crianças e animais, que absolutamente rejeitava. Porém abria a porta da esperança: “Me contaram que o reino vegetal oferece inúmeras possibilidades”.

Ainda teremos a trêfega e liberada atrizinha a revelar experiências a com a cenoura e a alcachofra, eventualmente uma dúzia de bananas para dar colorido e sabor. Como? Esperem, não demora. Não posso ajudar porque esqueci até como se faz sexo a um.

Rogério Distéfano

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo “Se não for divertido, não tem graça.” Contato: luizsolda@uol.com.br

Esta entrada foi publicada em Pensando bem... e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.
Compartilhe Facebook Twitter

Os comentários estão encerrados.