Cabeça desocupada, oficina do Demônio

A Vereadora Professora Josete (PT), compósito excepcional das companheiras Dilma, Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann, superou as três. Estas, trituradas e misturadas no liquidificador, não cogitariam o que Josete concebeu em projeto de lei.

E olhe que aquelas cabecinhas, em trio ou solo, descobriram a pedra filosofal petista: transformar a massa cinzenta em massa marrom. Com a lei genérica do gênero, nossa mulher sapiens da câmara superou as três companheiras em gênero, número e grau.

Um dia Josete acordou com tensão de gênero e encrencou com os nomes de rua. Tinha que ser meio-a-meio, uma, nome de homem, outra, nome de mulher. A vereadora não cogitou que no atual estado das coisas e das cotas faltaria mulher para tanta rua.

Numa dessas teria que dar às ruas nomes de mulheres de rua. Concordo em gênero e número. Perto da câmara, rua Visconde de Guarapuava, há operosas merecedoras da homenagem.  Desocupada, a cabeça de Josete, virou oficina do demônio.

No afã angustiante de emparelhar o gênero com o número, a professora seria capaz de propor que a rua André de Barros mudasse para Andréia de Barros. Essa rua, por sinal, é o puctum dolens da vereadora, que a tomou como paradigma de sua lei.

Melhor seria fazer com que André de Barros terminasse na João Negrão e dali em diante, até a Nilo Cairo, recebesse o nome de Professora Josete. Isso de gênero enche o saco, gera desarmonia entre homens e mulheres que se apreciam uns aos outros.

Foram-se Dilma e o inútil ‘presidenta’ e vêm suas filhotas iletradas com a pentelhação de masculino e feminino. Por que não a lei chamando ‘marida’ à parceira gay e ‘mulhero’ ao parceiro gay? Não é o substantivo do gênero que diminui a mulher. É o adjetivo da vida.

Josete fez como o colega vereador que nos impôs envoltórios para os talheres de bares, inutilidade para os consumidores e utilidade para os fornecedores. Andei no primeiro mundo por estes dias. Por lá não se usa camisinha em garfo, nem jontex na colher.

Como só pensa em femês, Josete queria que os papéis oficiais fossem obrigatoriamente redigidos nos dois gêneros, o do fato e o da fata. Como se lixa para o que nos custa sua inutilidade, queria nos impor mais a despesa do papel, da tinta e da impressora.

Não fosse o vereador homo sapiens que mandou o projeto para aquele arquivo redondo, nossa vereadora mulher sapiens ainda nos atocharia o registro LGBTTS – oito idiomas de gênero. Sorte termos o prefeito Greca, que vetaria tamanho delírio.

Rogério Distéfano

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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