Ricardo Barros e os 10%

A partir dessa segunda-feira chega a hora da onça beber água. Ou, no didático, vamos saber se o deputado federal Ricardo Barros vai entregar o que prometeu há mais de um ano para seus aliados em potencial: a viabilidade da candidatura da mulher, Cida Borghetti, ao governo em outubro.

E a entrega tem número, um mínimo de dois dígitos, atingir no mínimo 10% nas pesquisas de opinião dos paranaenses que gostariam de manter a família Barros no Palácio Iguaçu por mais 4 anos.

Nesses três meses de mandato temporário da mulher, Ricardo Barros não deu trégua. Cumpriu à risca seu próprio projeto: transformou o staff do governo em tapete voador para que Cida Borghetti percorresse o Paraná inteiro como uma Evita Perón dos prefeitos pobres e desassistidos. Que, segundo algumas pesquisas, já a fez ultrapassar os 10%. Ela distribuiu mais recursos já carimbados do que Beto Richa em 7 anos e tirou mais fotografias do que a Anitta. Na pressa de mostrar serviço até duas pesquisas de opinião ( ambas contestadas na justiça eleitoral), foram divulgadas , com Cida Borghetti pulando de escassos 3% quando substituiu Beto Richa para até 12.3% na semana passada. A família Barros fez valer um ano em 3 meses, sem colocar a mão no próprio bolso. E Ricardo Barros, de um jeito ou de outro, entregou o que prometeu.

Só que político é bicho desconfiado. Quando está em jogo a renovação do mandato – que exige um candidato ao Governo com chances reais de ser eleito – eles mergulham a fundo na realidade. É o único momento em que não tergiversam.

E é isso que vão fazer a partir da semana que entra até a última convenção partidária: alianças políticas se darão diante de Cida Borghetti como candidata forte, capaz de arregimentar votos na urna. O potencial de 10% dos votos , razoável para entrar pela porta da frente do primeiro turno, serão analisados com a lupa do Sherlock. E já há sinais claros de debandada. O esforço do maridão, a simpatia de Cida e os recursos públicos são sempre bem vindos. Mas voto é voto, né Excelência?

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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