Desgraça pouca… Absurdo, a multidão de candidatos a senador e não se faz debate entre eles. Parece que só existem dois, já eleitos. Beto Richa exposto como está seria presa fácil para qualquer adversário, Beto presente ou ausente. Corremos o risco de tê-lo como senador.

O Paraná, triste admitir, mostra vocação para o atraso: elegeu Beto duas vezes prefeito e duas governador. Ele só perde para o terceiro colocado se  irmão, primo, contador, parceiros e associados continuarem presos. Com a margem apertada nas pesquisas, os votos deles farão falta na urna.

Desgraça pouca é bobagem. Teremos Roberto Requião fechando 24 anos no Senado depois de 12 no governo. De próstata retificada e resignado ao toque retal, vai longe disputando novos mandatos. Com duas aposentadorias e habilitado para a terceira, insiste em continuar na ativa.

Os ladrões errados – Tá tudo errado, punimos os ladrões errados, esses do PT e das empreiteiras. Os ladrões de verdade, os ali babas, estão no PSDB, os tucanos. Agora o ex-governador Marconi Perilo, de Goiás, está na mira. A Lava Jato pega os trombadinhas e deixa os ladrões de casaca livres para disputar Senado, governos e presidência.

A ordem dos fatores – A PF fez batida em dois endereços do senador Ciro Nogueira, do PP do Piaiuí. O senador, não propriamente uma flor perfumada, reagiu: “estamos vivendo a criminalização da política”. Questão da ordem dos fatores, que no caso dos políticos, não altera o produto: sempre vivemos a politização do crime. São os políticos delinquentes.

E a cor da farda? – O debate presidencial que conta não acontece entre os candidatos, mas entre um candidato e seu vice: Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. E o vice está vencendo. Vejam a última do vice: extinguir décimo-terceiro e adicional de férias. O general parece um infiltrado petista na campanha de Bolsonaro. Os estalinistas do PT o chamariam de ‘quinta coluna’.

As ideias do vice ainda matam o candidato, eleitoral e fisicamente. Esta última tirou votos entre os trabalhadores de direita e suspendeu a alta hospitalar pela superveniência de infecção, uma coincidência que flerta com a tragédia. Se a História se repetisse como tragédia, seria como se José Sarney desligasse os aparelhos de Tancredo Neves.

Tal proposta, em véspera de disputa apertada entre direita e esquerda, é tão imprudente e inconsequente quanto a de um general sugerindo mudar a farda do Exército, de verde oliva para cor de rosa. O capitão obrigou o general a vestir o pijama cor de rosa. Mas até quando? E a que custo? A tristeza de Jair Bolsonaro faz a alegria de Fernando Haddad.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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