César Mata Pires, o Deus da Bahia

O empreiteiro César Mata Pires Filho, que se entregou neste domingo à Polícia Federal em Curitiba, por conta das denúncias da Operação Lava Jato, é filho de uma espécie de Deus na Bahia. Seu pai, falecido no ano passado de ataque cardíaco, genro do poderoso Antônio Carlos Magalhães (o ACM), transformou a OAS numa das mais importantes empreiteiras do país, rivalizando com a também baiana, Odebrecht.

A OAS tem uma ligação com Curitiba: foi a empresa, em sociedade com os construtores locais Irmãos Mauad que transformou o antigo quartel do CPOR na praça Oswaldo Cruz no Shopping Curitiba. Em troca do terreno e da construção, a OAS construiu o atual quartel ocupado pela Quinta Região, no Pinheirinho.

Segundo um levantamento do deputado paranaense Luiz Carlos Hauly, a OAS tinha grande influência em liberar recursos dos grandes fundos de pensão, como o Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica) e Petros (Petrobras), o que levou à realização de grandes obras em todo o país. A construção da sede da Petrobrás, a Torre Pituba, junto com a Odebrecht, que levou Cesar Mata Pires Filho à prisão, teria distribuído, segundo a Lava Jato, quase R$ 70 milhões aos PT. A obra, com custo inicial previsto em torno de R$ 360 milhões, passou para R$1 bilhão.

Discreto, César Mata Pires, pai, sempre cultivou um certo mistério em torno do seu nome e posição, principalmente na Bahia. Entre os executivos locais, era considerado um Deus dos grandes negócios e pela influência que tinha junto aos sucessivos Governos de Brasília. No pós Lava Jato, descobriu-se que mais do que a competência extraordinária para gerir uma grande empreiteira no Brasil, o pagamento de propinas era determinante para o sucesso.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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