Greca de novo? É o que temos

Gostem ou não do cheiro de moradores de rua, o fato é que o prefeito Rafael Greca é o candidato mais forte à reeleição em 2020, independente de quem concorrer com ele. Mesmo longe de ser um Jaime Lerner, de quem os curitibanos são eternas viúvas, Greca cuida da cidade no dia-a-dia, mantendo-a limpa e confortável, como qualquer sala de visita da classe média local.

Greca se acalmou um pouco em relação à primeira gestão, quando ainda refletia o coroinha afoito que guarda dentro dele. Não ousou na base dos indefectíveis Faróis do Saber porque, mais sozinho, não tem os técnicos de Jaime Lerner à espreita para evitar grandes desastres na área urbana da city. E, a rigor, também já não precisa superar mais o inspirado mestre e arquiteto, que mudou Curitiba como nunca em sua história.

Greca fez, na verdade, o que seu antecessor, Gustavo Fruet, e aqui não entram as razões de Fruet, mas a percepção do curitibano, ficou devendo à Curitiba: cuidado com o básico do básico – tráfego, saúde, educação – e não reclama nem choraminga a falta de recursos.

Politicamente, Greca tem o apoio da família Barros e não é o grande adversário do grupo Ratinho Jr, que começa a governar em janeiro. Não lhe falta, portanto, chances de formar um bloco político com força para disputar a reeleição. Se nenhum escândalo aparecer pelo caminho e nenhum grande problema atingir Curitiba nestes próximos dois anos (toc, toc, toc), Greca deverá continuar onde está.

É o que temos.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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