Sessão da meia-noite no Bacacheri

Laura Pointras, por alguns anos (pós 11 de setembro de 2011) pesquisa sobre a segurança nacional e passa a receber e-mails anônimos, assinados sob o pseudônimo de “citizen four”. As mensagens falam sobre documentos secretos do governos estadunidense. Em junho de 2013, Laura Poitras vai a Hong Kong encontrar-se com o remetente dos e-mails, Edward Snowden.

A diretora Laura Poitras é conhecida por documentários de forte cunho político, como My Country, My Country, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar. O filme, que se passa no Iraque ocupado, colocou a cineasta em uma lista do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, fazendo com que fosse muitas vezes parada em aeroportos, tendo objetos verificados e apreendidos. Ela continuou a demonstrar interesse pelos EUA pós-11 de setembro com The Oath e agora fecha sua trilogia com Cidadãoquatro.

Cidadãoquatro – Diante de seu histórico investigativo e político, a diretora chamou a atenção de Edward Snowden, que iniciou um contato cheio de mistério e informou possuir documentos que provavam que agências do governo norte-americano estaria recolhendo dados pessoas da população.

O longa retrata desde o primeiro contato com Snowden e passa por todo o período em que ele, a diretora e o jornalista Glenn Greenwald, do The Guardian, discutiram como ocorreria o vazamento das informações. Enquanto Snowden era a fonte e Greenwald era o representante da mídia, Poitras era a responsável pelo registro das conversas.

Com cenas rodadas no Rio de Janeiro, em Hong Kong, em Berlim, em Brasília, dentre outras cidades, o longa oferece uma visão ampla e introduz este personagem misterioso que é Edward Snowden, hoje considerado um traidor foragido dos Estados Unidos. Cidadãoquatro não busca canonizar o indivíduo, mas oferecer seu ponto de vista, que é articulado e bem desenvolvido.

A produção, que conquistou o Oscar de Melhor Documentário, mostra a repercussão inicial do vazamento das informações e aborda um pouco o debate que surgiu em países como Alemanha e Brasil, que descobriram que seus chefes de estado estavam tendo suas comunicações invadidas pelo governo americano.

Não se trata de uma obra empolgante e não revoluciona do ponto de vista da linguagem, mas estamos diante de uma obra jornalística importantíssima. Quando o assunto surgiu pela primeira vez, todos víamos Snowden como uma figura reclusa e misteriosa. Pode até ser a realidade, mas agora somos jogados diante de suas motivações e acompanhamos conversas e reflexões muito significativas neste século XXI.  O filme foi assistido durante o festival É Tudo Verdade 2015.

Adoro Cinema

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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