Silas Malafaia lança O Verdadeiro Testamento

Tendo descoberto que a Bíblia foi manipulada pela Globo, pela Folha e pelo STF para criar a imagem de um Jesus comunista, Silas Malafaia anunciou o lançamento do Verdadeiro Testamento. “Vou desmascarar esses canalhas, que criaram um blá-blá-blá de amor, tolerância e respeito só para atacar o Bolsonaro! Comunistas! A mamata acabou!”, pregou o pastor.

Neste momento de pandemia, em que todos precisam de paz e conforto na alma, o pregador divulgou em seu Twitter trechos do Verdadeiro Testamento.

Petista adúltera
Pela manhã cedo, Jesus tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava. E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: “Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?”

E Jesus falou: “Canalha! Acabou o monopólio da informação! ACABOU! Isso é uma safadeza! A imprensa inescrupulosa quer destruir Bolsonaro a qualquer preço! Essa adúltera só pode ser esquerdopata! Isso aqui é a semente da ditadura gayzista que vai virar inspiração praquela Geni do Chico esqueropata mamar na Lei Rouanet!”.

Sermão do Felipe Melo
Atacai inimigos com voadoras, pescotapeai os que vos odeiam, insultai os que vos insultam (isentões idem). Aos que batem numa face, oferecei um tabefe.

Exaltação aos vendilhões
Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Achou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas sentados. Tendo feito um TED exaltando o empreendedorismo, cobrou o dízimo dos que ali estavam, derramou pelo chão ações preferenciais da Havan e disse aos que vendiam as pombas: “Não façais da Casa de meu Pai uma casa comunista”. Pediu um hambúrguer de ovelha no Madero e lançou no ar uma parábola: “Crédito ou débito?”.

Cura de leprosos
Quando Jesus desceu do monte, uma grande multidão o seguiu. Então, um homem com lepra aproximou-se dele e, ajoelhando-se, disse: “Eu sei que, se quiser, o senhor pode curar-me”. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Pare de escutar a imprensa canalha que tenta enganar o povo pra derrubar Bolsonaro. Toma aqui essa cloroquina!”. E, no mesmo instante, a lepra desapareceu.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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