A trajetória do mais irrequieto, produtivo e criativo grupo de teatro do Paraná

Durante as décadas de 60 a 90, um sopro de renovação agitou o teatro na cidade de Curitiba. Uma nova geração entrava em cena, disposta a romper os laços com o teatro tradicional e buscar novos caminhos para a linguagem cênica. Conectados esteticamente com os movimentos de vanguarda teatral em curso na Europa e Estados Unidos, porém fortemente impregnados da prática antropofágica proposta por Oswald de Andrade e outros modernistas brasileiros, mas também antenados com o romance fantástico latino-americano; rebeldes pela juventude e, mais ainda, pela resistência ao regime de opressão que se instalara no País, esses novos militantes do fazer teatral curitibano fizeram importante trabalho de atualização da cena local, face ao que havia de mais inovador no cenário mundial.

Essa brisa começou a soprar em meados dos anos 60, com a criação do TEU – Teatro do Estudante Universitário, virou furacão entre 1968 e 1971 com o Grupo XPTO e tornou-se monção a partir de 1973, com o Teatro Margem, que levou essa flama adiante até o fim do século.

Alguns dos mais importantes atores, diretores, dramaturgos, músicos, iluminadores, produtores culturais e professores da arte dramática, que deixaram sua marca na cultura paranaense, escreveram a história do Teatro Margem. Personagens importantes do teatro, da música, da literatura, do jornalismo e das artes plásticas paranaenses desempenharam seu papel nesse grande espetáculo, como Manoel Carlos Karam, Antônio Carlos Kraide, José Maria Santos, Ione Prado, Beto Bruel, Regina Ortiz, Marcos Prado, Roberto Prado, Rogério Dias, Vera Maria Prado, Solda, Dante Mendonça, Elizabeth Destéfanis, Denise Assumpção, Luiz Antônio Karam, Leca Prado, Glória Flügel, Suely Kardosh,  e as bandas Vondas e A Chave.

Por sua importância cultural, dada sua grande influência sobre as novas gerações de artistas locais, exercendo influência decisiva sobre os caminhos de linguagem cênica disseminados pela cena curitibana neste início de século, a história do Teatro Margem e seus antecedentes precisa ser contada, antes que se perca na poeira do tempo. Algumas figuras centrais dessa história já se foram, como é o caso do dramaturgo/encenador/romancista, jornalista e agitador cultural Manoel Carlos Karam, mas muitas figuras centrais desse enredo estão aí, vivas e atuantes, para contar o que viveram.

O Teatro Margem  foi fundado por remanescentes do desfeito Grupo XPTO, em fins de 1971 estreando sua primeira montagem no Teatro Paiol no início de 1972, com as Três Peças Experimentais, seguida de As Aventuras de Um Diabo Malandro, no Guairinha, para em seguida fixar residência no antigo Teatro de Bolso, demolido no final dos anos 70 pela Prefeitura, para construção daquele quiosque que atualmente ostenta o seu nome em plena Praça Rui Barbosa.

Ione Prado e Alberto Centurião

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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