Todo dia é dia

© Pablito Pereira

o que ama e o que detesta

um homem caminha rumo ao horizonte
com uma calma que o faz driblar o passo
isento de pensamentos e de cansaço
sem com quem falar nem com quem conte

outro sobe apressadamente um monte
pensando em como é deprimente céu abaixo
sentindo-se infeliz e cabisbaixo
porque subir não o leva além de ontem

os dois se encontraram um dia num deserto:
— isso um dia já foi uma floresta
— em qualquer direção que eu vá fico mais perto

se despediram, um com um aceno de dor, o outro de festa
você que é sábio, se diz bom e esperto
diga qual o que ama e o qual detesta

marcos prado

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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