Zé da Silva

Não sei quanto custa a passagem de ônibus para o Vale do Itapocu, mas não tenho. Se tivesse, não embarcava. Preservo minha liberdade. A de ir e vir. Como o rio que dá nome a este pedaço de Santa Catarina. Tem gente que acha sacanagem. Aí, vareia. O dia em que descobri que no Pará existe uma fruta chamada abricó, fiquei pensando como seria experimentar a tal se ela rimasse com Itapocu. A culpada disso tudo é minha santa mãe. Um dia ela viu uma jovem indo, com uma calça bem colada no corpo. As nádegas eram do tipo que se beijam. Na hora falou que a donzela tinha o cu abotoado. Tem gente que não gosta de ler essas coisas, principalmente quando está no banheiro sentada no trono, exercitando a mente. Cada um, cada um. De qualquer forma, vou pagar meus pecados depois da confissão de sábado. Mas não entro na igreja. Tenho medo dos padres. Culpa da imprensa, que fica divulgando casos escabrosos.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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