Zé da Silva

Pendurado por ganchos e exposto no açougue da vida, quem não? Muitos, mas estes são privilegiados por não terem dúvidas, não terem alma, funcionarem como o sexo dos animais. Lavou, tá limpo? Vai ver que é isso mesmo e idiotas são os que procuram todo tipo de feridas de dentro e aquelas dos que conseguem expor em literatura, imagens, sons, para tentar a salvação – que não existe. A coronhada na boca do bêbado estuprador de criança. Dentes ao chão. Um cão sarnento lambendo o sangue que escorre para o líquido podre do esgoto. O que fede mais? Depois de tomar banho, o do poder assinou o decreto que vai transformar a vida dos anônimos numa escalada de terror mais violenta do que o da ‘Casa dos Mil Mortos’ – mas este é a apenas um filme. ‘Feios, sujos e malvados’ também. A menina débil mental grávida do próprio pai na favela de Roma, a dos palácios dos papas da igreja católica. Perdoai-os, pai, eles não sabem o que fazem… Alguém apontou o indicador na minha direção. Estou num açougue, lembram? Tiraram os ganchos, me embrulharam. Fui levado. Aos porcos, para ser devorado. Que felicidade!

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
Esta entrada foi publicada em Roberto José da Silva - Blog do Zé Beto e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.
Compartilhe Facebook Twitter

Deixe uma resposta