Zé da Silva

Roberto José da Silva – Blog do Zé Beto

Esperava a oferta há muito tempo. Corrupção, palavra que me encantava pela sonoridade e por ser tão forte o apelo no mundo dos homens. Veio. Eu dei o preço, mas fiz exigências, já que a mutreta iria  entupir o corruptor de dinheiro. Pedi minha parte em maços de cédulas que deveriam ser amontoadas na forma de tijolos como via nas casas lá da vila – aquelas que eram construídas aos poucos. Não houve problema. O carregamento chegou depois de fechado o negócios e o cofre público ser mais uma vez limpado. Empilharam a grana do jeito que eu queria – e o bandido ficou ao meu lado tentando decifrar por que eu tinha pedido aquilo. Então, fiz o planejado. Molhei tudo com álcool combustível, risquei o fósforo e joguei. Enquanto eu ria, ouvia os gritos do crápula me chamando de  louco. Sim, era, por isso negociei tudo com quem podia prender – e o fizeram. Depois, sumi. Jamais esqueci aquele monte de dinheiro. E o fogo, e o fogo…

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 40 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido, não tem graça." Contato: luizsolda@uol.com.br
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