Foto de Naná.

Senhoras e senhores podem ocupar seus lugares. Esta pocilga eletrônica tem a satisfação de apresentar, com absoluta exclusividade, um trecho das memórias profissionais (com título provisório Do rádio galena à website) do jornalista Toninho Vaz (foto), 61 anos. O trecho a seguir faz parte do Capitulo 1, chamado Como um realejo, quando ficamos sabendo que a primeira experiência do nosso correspondente foi como crítico de cinema do suplemento DP Domingo, do extinto Diário do Paraná, em 1969:
Em 1970, ano da conquista da Copa do Mundo, no México, fui convidado pelo radialista Gilberto Fontoura, que conheci na redação do jornal, a fazer “alguma coisa” na Rádio Independência, onde ele e Jair Brito eram os diretores. A rádio funcionava no 22º. andar do Edifício Asa e era uma das melhores da cidade, no sentido popular da palavra. Foi uma experiência rápida e sem vínculo empregatício, talvez de apenas dois meses se bem me lembro. Por iniciativa de Gilberto Fontoura, aproveitei cinco ou seis minutos diários dentro do programa apresentado por Almir Feijó – que dominava quase toda a parte da manhã – para aprender um pouco deste oficio – uma atividade que me fascina até hoje. Minha tarefa no programa – levada com a timidez própria de um iniciante – era fazer dois ou três comentários dos filmes em cartaz e chamar uma trilha sonora para ilustrar o assunto. Na minha estréia, lembro bem, escolhi o tema original de Midnigth Cowboy, de John Barry.
Acontecia neste momento, aos 22 anos, minha primeira entrevista feita com postura e cacoete de repórter profissional. Foi com Sylvio Back e Oscar Milton Volpini, diretor e roteirista, respectivamente, de Lance Maior, primeiro longa-metragem “sério” produzido no Paraná. Eram, portanto, personagens da minha reportagem especial em processo. Eles me receberam num apartamento na praça Santos Andrade, quase ao lado do monumental e combalido prédio do Teatro Guaíra. Minha memória ainda registra as irônicas alfinetadas desferidas pelo cineasta de cabelos de milho:
— Começando a trabalhar agora, hem?… Com certeza é mais um fã do cinema americano.
Ele estava certo. Naquele mesmo ano inclui pelo menos cinco filmes americanos na minha lista dos dez melhores: Voar é com os pássaros e Perdidos na noite eram dois deles. Era uma postura que contrariava os apaixonados pelo moribundo cinema de arte europeu, profundo e pesado, que dava sinais de esgotamento nervoso. Surgia uma nova geração de cineastas americanos que tinha carisma além de uma boa idéia na cabeça: Robert Altman, John Cassavetes, Sidney Pollack, Polanski (embora polonês de nascimento), etc… Mas, para todos os efeitos, é bom dizer que sempre gostei de Godard, Bergman, Truffaut, Fellini, Kubrick – e que o resto não passa de bobagem de cinéfilos.
Enquanto isso, para ganhar dinheiro, eu trabalhava e batia ponto diariamente numa repartição pública do Estado; a partir de 1964, como contínuo e mais tarde como Escrevente datilógrafo. Permaneci neste emprego até 1974, quando me afastei exercendo a função de Chefe do Serviço Administrativo do Departamento Médico do I.P.E. Foi quando o jornalismo me cooptou de vez.
Segue no próximo folhetim.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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