Camoniana
Isso, bem sei, não tem um nome ainda,
É um delirar em lúcida vigília,
Sentir-se só na mais remota ilha
A procurar uma palavra linda
Que decifrar pudesse o sentimento,
Até então só criptografado
Sempre que nós estamos lado a lado
E nos beijamos longo e fundo e lento.
De nada vale qualquer idioma
Para chamar o que então se passa,
Todo saber humano entra em coma
No mesmo instante em que você me abraça
Nenhum caminho já nos leva a Roma,
Nem tenho um nome, nem sei sua graça.
Paulo Vitola