Leia-se!

O jantar para os dois casais amigos. Na parede uma das mulheres nuas de Modigliani. Tanta festa, muito riso: o lombinho uma delícia. Até que um dos maridos:
— Essa moça do quadro. Ela sorri para você?
— É o meu consolo das horas mortas.
A dona acorda, oferecida:
— Ela sou eu, não é, bem?
Um murro na mesa estremece e espalha talher:
— Ela é você? Quando você teve esse amor desesperado nos olhos? Esse perdão infinito na boca?
Outro soco espirra vinho tinto na toalha:
— Não se conhece, sua bruxa?

111 Ais – Dalton Trevisan Coleção L&PM Pocket – Verão de 2000.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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