O colunista Reinaldo Bessa relatou há dois dias uma deliciosa história protagonizada por duas pessoas relativamente conhecidas em Curitiba. O jornalista só não citou os nomes dos envolvidos. Contou do milagre, mas não deu nome ao santo. Com licença do Bessa, transcrevo o episódio e depois dou o nome do milagreiro, porque o personagem da história é dado a fazer milagres na era da internet.
“Natural de Registro, no interior paulista, uma das mais requisitadas personal trainers de Curitiba causou furor em sua cidade natal no último sábado ao receber um amigo para o almoço. O convidado, bem-sucedido empresário da área da informática em São Paulo, foi ao encontro da amiga a bordo de seu helicóptero. Na hora do pouso, ele escolheu o estádio da cidade, com um jogo em andamento”.
“A sensação foi tamanha que o prefeito fez questão de recepcionar pessoalmente o ilustre convidado, para surpresa da moça, que chegou a pensar que o alcaide invadiu o campo para lhe aplicar uma multa por estacionamento proibido”.
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Aleksandar Mandic é o nome do bem-sucedido empresário da área da informática. Tem parentes e alguns poucos amigos em Curitiba. Quanto à personal trainer, prefiro não citar o nome: se Reinaldo Bessa não citou, deve ter sido a pedido da própria moça de corpo escultural.
Quem conhece Aleksandar Mandic, e aqui me incluo, não se surpreenderia vê-lo aterrissando de helicóptero no meio de um jogo de futebol, muito menos com a recepção do prefeito. Pudera, Mandic é a internet em pessoa.
Ex-funcionário da Siemens, é o pai da internet no Brasil. Case de estudo na Universidade de Harvard, no seu apartamento paulistano, acumula prêmios e uma curiosa coleção de livros: todos as obras estão autografadas pelos autores.
De família iugoslava, o primeiro idioma que aprendeu foi o iugoslavo, mas nascido no Brasil, Aleksandar tem um santo forte de origem, São Leopoldo, Mandic, um sobrenome que faz parte da história da rede de computadores no Brasil.
Em 1990 apostou alto em um projeto considerado por muitos uma brincadeira de garotos e fez do hobby seu primeiro e próspero negócio, a Mandic BBS. Com um computador e uma linha telefônica, dizia ele então: “Isso daqui vai virar alguma coisa”. E a brincadeira de garoto se tornou então um dos gigantes da web brasileira: a Mandic Internet S.A.
Em 1998, como deve dizer o prefeito de Registro, o garoto “botou o boi na sombra”: vendeu seu provedor por um valor não revelado – alguns milhares de dólares – para o grupo argentino Impsat e tornou-se sócio-fundador do IG, onde durante dois anos respondeu pela parte técnica e foi uma espécie de embaixador da empresa.
Em 2002 retomou a marca Mandic e criou algo totalmente novo: dedica-se a vender um serviço vip de e-mails. A façanha do novo negócio é que o produto é distribuído de graça e em abundância na rede, porém é uma fórmula de sucesso nas mãos do mago.
Mandic é um provocador por estilo. Exemplo disso foi a campanha de lançamento da MandicMail, aproveitando o escândalo de espionagem do caso Kroll, que envolveu ministros e empresas internacionais. No dia seguinte ele colocou um anúncio no Correio Brasiliense: ‘’Senhor Ministro, conheça nosso e-mail antes que os italianos conheçam os seus. MandicMail, o único com criptografia digital, só vai ler seus e-mails quem você quiser”.
O anúncio saiu no Correio Brasiliense para o próprio ministro ler.
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A última vez que Aleksandar Mandic esteve em Curitiba foi num domingo. Eram dez horas da manhã, quando telefonou para marcar encontro: “Estou saindo de São Paulo. Ao meio-dia encontro vocês para um aperitivo no Bar Stuart, depois vamos almoçar na Churrascaria do Erwin”.
Mandic chegou no seu próprio avião, junto com o piloto tomamos aperitivo no tradicional bar da Praça Osório, a maionese do Erwin fez as honnras da casa e no final da tarde a internet em pessoa já estava em São Paulo.
Dante Mendonça [22/12/2006] O Estado do Paraná
Uma resposta a A Internet Em Pessoa.