O celular engordou

Lígia Kempfer. Foto de Rogério Albuquerque.

Dez anos atrás, quando comprou seu primeiro celular, a publicitária Ligia Kempfer saiu da loja com um tijolão de 15 centímetros de comprimento. A tela era pequena, o visor não era colorido, a bateria não durava quase nada, era preciso puxar a antena para ele pegar melhor e, pior de tudo, era pesadão. Ocupava muito espaço na bolsa e não cabia no bolso de nenhuma das calças. Mas a praticidade de ter um telefone celular fazia todo mundo esquecer os inconvenientes. Com o tempo, os aparelhos diminuíram e acumularam funções. A mudança do sistema analógico para o digital permitiu a troca de mensagens de texto. Depois vieram as câmeras e os tocadores de música. Em seguida, a internet e os e-mails.

Com tantas funções, os celulares reverteram o processo de encolhimento e voltaram a crescer. Estão mais largos e maiores. Estamos voltando aos tijolões? Aquele pesadelo de não conseguir colocá-lo no bolso da calça nem no bolsinho para celular das bolsas está de volta? O tamanho dos celulares inteligentes tem feito muita gente pensar duas vezes antes de trocar um pequenininho por um quadradão.

Ligia está em seu sexto aparelho. Nos últimos anos, o tamanho de seus celulares diminuiu consideravelmente. Chegou a um com pouco mais de 8 centímetros de comprimento, bem levinho. Mas há cinco meses usa um celular com teclado completo (chamado de Qwerty), câmera, internet e músicas. “Gosto dele. Não consigo mais imaginar voltar ao antigo”, diz. Ela usa o aparelho para trabalhar e aproveita a câmera para gravar cenas cotidianas para mostrar
à filha Júlia, de 2 anos.

Aliar trabalho com vida pessoal num único aparelho é um dos argumentos destacados pelos fabricantes, ainda que eles sejam maiores e às vezes mais pesados. “O ‘peso–benefício’ está melhor. As vantagens são tão grandes que as pessoas abrem mão de um telefone pequeno”, afirma o diretor de desenvolvimento de terminais da operadora Vivo, Hilton Mendes. O tamanho maior dos celulares é resultado de dois fatores: tela e teclado. Afinal, de que adianta um celular com uma ótima câmera e uma telinha que não permite ver nada? Ou um com teclado que nos faça errar na hora de digitar? Os fabricantes estão otimistas com o crescimento das vendas. Os celulares com múltiplas funções representam 6% do total – só no ano passado, foi vendido 1,2 milhão deles. “A expectativa para 2011 é que eles cheguem a 25% do mercado mundial”, afirma o gerente de produtos de telefonia móvel da Motorola, Henrique Freitas. Talvez as lojas de roupas comecem a vender calças com bolsos maiores.

Revista Época.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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