Durante a anarquia Bolsonaro, o filho 02, Carluxo, sem cargo no Planalto, abria a porta do gabinete ou da sala de reuniões e interrompia conversas do presidente com ministros e gritava: “Pai, depois quero falar com você” (nada republicano, do vocativo à conclusão). Agora, nos tribunais em geral, a partir da decisão do STF sobre parentes de ministros advogando nos tribunais em geral e STF em particular, filhos, sobrinhos, irmãos, cunhados advogados não irão endereçar suas petições ao ‘exmo. sr. magistrado’. Será ao ‘querido tio, pai, mano.
Apesar do corridão no golpismo bolsonarista, o STF, na arrogância do poder que se põe acima da crítica, opta restaurar a parentalidade. Ao lixo os sociólogos como Raymundo Faoro que apontam o patrimonialismo como uma de nossas maiores deformações institucionais. Não há como vencer algo que nasceu no Descobrimento, consolidou-se no império e pereniza-se na república. Ainda que sob a desculpa de uma transparência que não se restaura por decreto, o STF consolida o patrimonialismo com os advogados parentes dos ministros.
Sobre Solda
Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido
não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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