Bolsonaro e o mito da propaganda oficial

A menção agressiva do candidato Jair Bolsonaro sobre a propaganda oficial na TV Globo pelo menos serviu para acabar com um mito quanto ao peso da publicidade do Governo Federal na emissora, que vem sendo superestimado desde o governo do PT. Bolsonaro vem ameaçando cortar verbas de empresas jornalistas que o desagradam, caso seja eleito. Já fez isso com o jornal Folha de S. Paulo, por causa de publicação de matéria sobre sua funcionária fantasma Wal do Açaí, e repetiu a ameaça na entrevista ao Jornal Nacional nesta terça-feira, quando falou em “bilhões de reais” de propaganda governamental na emissora.

Independente do que se pense da TV Globo, da Folha de S. Paulo ou de qualquer outra publicação, quando um candidato ameaça empresas de comunicação desse jeito, na verdade está querendo calar vozes que o incomodam. Em campanha, Bolsonaro repete o que já foi feito durante anos pela esquerda e não tenho dúvida nenhuma de que ganhando a eleição ele terá atitude tão desonesta quanto a do PT, talvez criando até blogs sujos e um sistema paralelo de informação e propaganda, nos moldes do que foi feito pelo partido do Lula no poder.

No Jornal Nacional dessa quarta-feira foi lida uma nota oficial da TV Globo dizendo que Bolsonaro fez uma “afirmação absolutamente falsa” quando falou em bilhões de recursos da propaganda oficial do governo. Segundo a nota “a propaganda oficial do governo federal e de suas empresas estatais corresponde a menos de 4% das receitas publicitárias e nem remotamente chega à casa do bilhão”.

Eu já estava colhendo uns dados sobre propaganda oficial antes de Bolsonaro tocar no assunto e já havia arquivado alguns dados. Em 2014 a emissora teve R$ 602,8 milhões em publicidade oficial do Governo Federal, quantia que caiu para R$ 396,5 milhões em 2015, após um corte de 34% feito pela então presidente Dilma Rousseff. Os dados foram obtidos pela equipe do site Poder360 usando a Lei de Acesso à Informação.

Segundo informações do site Meio e mensagem, considerando todos os negócios de mídia, em 2017 o faturamento com publicidade do Grupo Globo totalizou R$ 14,8 bilhões. Houve uma queda de 3,5% em relação a 2016. O grupo teve resultado operacional líquido deficitário de R$ 83,3 milhões em 2017, mas compensou as perdas com aplicações financeiras e receitas da operação de TV paga, com as quais obteve lucro de R$ 1,8 bilhão.

Esses dados dos sites Poder360 e Meio e mensagem servem como referência de que é verdadeira a nota da TV Globo. O mentiroso é o encapetado capitão. Mentiu de novo, diga-se.

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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