
O ENTENDEDOR, quer dizer, o mau entendedor, é o problema das anedotas, o serial killer do humor. Ele não entende, se ofende, precisa de explicação e quando finalmente entende enche o saco com a risada atrasada e o discurso sobre o teor da anedota. Não tente ensinar-lhe que a anedota – não a piada, na visão vulgar e tosca – não precisa ir até o fim, tem o momento em que fica em suspenso, quando o bom entendedor sabe que meia palavra bos…
Conheço o cara que perdeu a metade dos amigos e ganhou o ódio da sogra porque – dizia ele – praticava o humor inglês, em que o narrador não ri nem sorri e interrompe a anedota no punch – ainda o inglês e seu humor -, o momento em que a graça se conclui, à espera do cada vez mais raro entendedor.
Sobre Solda
Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido
não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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Rogério Distéfano - O Insulto Diário. Adicione o
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