
Quando os juízes só falavam nos – e pelos – autos, ninguém entendia. Era a língua enrolada, o português de tabelião alfacinha, o latinório com odor de sacristia, mas a coisa terminava bem. Não tinha isso de terceira e quarta instâncias, um juiz atropelando outro entre elas, até a entregar sujeiras do colega durante o churrasco da turma. Muito, bem antes, de se falar de decoro parlamentar, que não existe, os juízes praticavam o decoro judiciário, que nem usava esse nome.
Deve ser coisa da internet, ou da televisão, complexo de BBB, cacoete de WhatsApp só pode ser, aquilo de cada um buscar o minuto de fama. Aqueles juízes de antigamente não eram anjos, não senhor. Sabiam sacanear de jeito, mas com classe, sem baixar o nível. E, diferença para os de hoje, sem deixar vestígios, rabos soltos de cachorrinhos de madame.
Sobre Solda
Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido
não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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Rogério Distéfano - O Insulto Diário. Adicione o
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