Conservatório de MPB promove masterclass com Waltel Branco

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© Myskiciewicz

Ícone da música brasileira, Waltel Branco apresenta em outubro masterclass no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba. O curso voltado a músicos da cidade terá 8 encontros, sendo duas terças-feiras por mês até janeiro de 2017. A inscrição para dois encontros é de R$50, feita diretamente da secretaria do CPMB.

Cada encontro terá a participação ainda de um maestro convidado, regentes dos grupos artísticos do instituto e mediação do contrabaixista da Orquestra À Base de Corda, Rodrigo Marques. Um dos convidados para debater música com Waltel é o maestro João Egashira. “O Waltel fez com primazia tudo o que um músico deve fazer, com uma percepção incrível se destacou conquistando respeito pela qualidade de suas obras. Qualquer contato com artistas que chegam nesse patamar é uma escola! ”, esclarece Egashira.

Além de proporcionar o contato de novos músicos com os experientes artistas, o curso também pret a memória e paralelamente fazer um registro da vida e obra deste compositor paranaense. “É uma oportunidade de conhecer um pouco da história de vida e principalmente musical deste músico tão representativo no Brasil e no mundo”, explica Sandra Dias, coordenadora do Conservatório de MPB.

Segundo o maestro Waltel Branco, na masterclass ele deve apresentar debates pouco discutidos, e que faltam para os novos compositores. “O aluno tem que saber o que é a música, quero começar a falar a partir desse ponto”, explica Waltel Branco. “Não existe música boa ou ruim, existe aluno sem estudo, para se fazer música precisa de estudar muito”, conclui o compositor que também foi arranjador nas gravações: “Azul da Cor do Mar” de Tim Maia, “Bastidores” de Caby Peixoto, “Faz Parte do Show” de Cazuza, e muitos outros sucessos. Também foi o responsável pelos arranjos de trilha sonoras das novelas da Globo, como: “O Bofe”, “Selva de Pedra”, “Escrava Isaura” e “Irmãos Coragem”.

Trajetória

Compositor, regente, arranjador, diretor musical, violonista, guitarrista, contrabaixista, cavaquinista, produtor musical e professor, especialista em trilhas para novelas e cinema, Waltel Branco é um dos principais músicos do Paraná. Consagrado pelo arranjo da trilha sonora da Pantera Cor-de-Rosa, de Henry Mancini.

Nasceu em Paranaguá, em 1929, iniciou-se na música aos 12 anos de idade. Teve como mestres Bento Mossurunga, Sebastião de Oliveira, Othon Saleiros e Oscar Cáceres (violão) , Padre Penalva (canto gregoriano) , Jorge Kosha (música clássica), Stanley Wilson (música incidental, em Nova Iorque) e Alceo Bocchino e Mário Tavares (regência), Paulo Silva e Cláudio Santoro (composição). Na Espanha, em Santiago de Compostela, estudou técnica instrumental por alguns meses com Andrés Segóvia.

Em 1943, um ano antes de ser ordenado padre, deixou o Seminário e seguiu para Cuba, acompanhando a cantora Lia Ray como arranjador, diretor musical e violonista. Naquele país teve a oportunidade de tocar com Perez Prado, Mongo Santamaría e Chico O´Farrel. Em 1950, mudou-se para os Estados Unidos, quando estudou música incidental com o maestro Stanley Wilson. Fez várias apresentações em Nova Iorque e gravou com Franco Rosolino, Charles Mariano, Sam Noto, Mel Lewis e Max Bennet.

De volta ao Brasil, Waltel atua como músico. Em 1959 participa do Lp “Dance Conosco”, que teve participação de João Donato. E integra o grupo Djalma Ferreira e Milionários do Ritmo, em que estão além de Ferreira, Ed Lincoln e Miltinho. Em 1960 atua como guitarrista no LP “SaxVoz- Elizabeth Cardoso e Moacyr Silva”. Integra o Trio Surdina, com o qual grava em 1963 “Trio Surdina em Bossa Nova”. Outro trabalho importante que tem sua participação é o de Meirelles e Os Copa 5, com os discos “O Som” e “O novo som” gravados em 1964 e 1965, nos quais Waltel toca com músicos como o saxofonista J. Meirelles, Roberto Menescal, Eumir Deodato, Luiz Carlos Vinhas, Manoel Gusmão, Dom Um Romão e Edison Machado. Em 1965 lança como compositor e arranjador “A turma do bom balanço”, LP que possui, entre outras presenças, de músicos importantes como Dom Salvador, Geraldo Vespar, K-Ximbinho, Edison Machado, J. Meirelles, Neco e Ed Maciel.

Dois LPs de 1963 são importantes: “Guitarra Bossa Nova”.e “Guitarras em Fogo”, ambos com participações de Baden Powell, Neco e Geraldo Vespar .Waltel Branco participa da coletânea “Violão para quem não gosta de violão”, com José da Conceição, Maurício de Oliveira e Codo, e faz a produção musical para a Orquestra Românticos de Cuba.

Com a criação da TV Globo, em 1965, Waltel torna-se diretor responsável por trilhas sonoras de novelas como “Irmãos Coragem”, “Escalada”, “O Semideus”, “Bravo”, “Moreninha”, “O Feijão e o sonho”, “A escrava Isaura”, “Supermanoela” e “Vejo a lua no céu”, além de especiais da emissora. Para as novelas, Waltel compõe, inclusive, para trilhas internacionais, sob o pseudônimo de W.Blanc. Na Rede Globo foi regente de diversos festivais, entre 1965 e 1985.

Muitos compositores criaram música em homenagem a Waltel: Radamés Gnatalli, Cláudio Santoro, Guerra Peixe, Laurindo de Almeida, José Menezes, Theodoro Nogueira, Luiz Bonfá e, recentemente, Cláudio Menandro.

Regeu diversas orquestras, entre as quais a Orquestra Jovem Santa Cecília, em Roma, a Orquestra de Cordas da CBS, a Orquestra Romanza (para a Som Livre) e a Orquestra Sinfônica de Brasília.

Waltel Branco criou arranjos para Dorival Caymmi (“Retirantes”, de Escrava Isaura), João Gilberto, Rosa Passos (o LP “Curare”), Flora Purim ( LP “Flora é MPM”), Maria Creuza, Vanusa, Zé Kéti, Peri Ribeiro (LP “Alvorada”), Carlinhos Vergueiro, Sérgio Ricardo, Dom Um Romão (LP “Dom Um”), Toni Tornado (LP “Toni Tornado”), Tim Maia (LP “Tim Maia”) , Jane Duboc ( LP “Languidez”), e Odair José, entre outros. No seu currículo constam também a produção e direção musical dos LPs de Freddy Cole e Johnny Mathis, gravados para a Som Livre.

Gravou quatro discos de música erudita. Na música popular, afora os discos para novela, destacam-se os LPs “Recital”, “Meu balanço”, “Batucada fantástica”, Mancini também é samba” e “Violão em 2 estilos”, este dividido com Rosinha de Valença. Em CD lançou “Kabiesi”, em 1997, “Naipi”, em 2002 e “Meu Novo Balanço”, em 2007, que é o relançamento de “Meu balanço” e algumas músicas inéditas. Em 2006, teve várias de suas trilhas para TV relançadas nacionalmente em CD no projeto “Som Livre Masters Trilhas”.

Serviço: Masterclass Waltel Branco: Datas: 04 e 18 de outubro; 08 e 22 de novembro; 06 e 20 de dezembro; 10 e 24 de janeiro de 2017. Horário: 16h às 17h15. Local: Conservatório de MPB de Curitiba – Rua Mateus Leme, 66, Largo da Ordem – São Francisco. Inscrição: Secretária do Conservatório de MPB de Curitiba. Valor: dois encontros R$50

Sobre Solda

Luiz Antonio Solda, Itararé (SP), 1952. Cartunista, poeta, publicitário reformado, fundador da Academia Paranaense de Letraset, nefelibata, taquifágico, soníloquo e taxidermista nas horas de folga. Há mais de 50 anos tenta viver em Curitiba. É autor do pleonasmo "Se não for divertido não tem graça". Contato: luizsolda@uol.com.br
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